Direto da Redação: mesmo impedido, desembargador vota no caso Toyota

O desembargador Fernando Lopes é irmão do juiz José Ramos, que proferiu a sentença

A conta e o desconto

Tem um detalhe curioso nesse episódio do julgamento, pelas Câmaras Reunidas Cíveis, do caso da montadora de veículos, que estaria sendo condenada a pagar uma gorda indenização de R$ 200 milhões.

Foto: Reprodução
Caso da Toyota: desembargador Fernando Lopes votou em causa do irmão, o juiz José Ramos

É que participou do julgamento do recurso, perante o Tribunal, o desembargador Fernando Lopes, irmão do juiz José Ramos, que proferiu a sentença, no primeiro grau. Mas isso não é caso de impedimento do magistrado de 2º grau, meu senhor?

Cobertor curto

A Universidade Estadual do Piauí já não é essa Coca-Cola toda em termos orçamentários, mas o que é ruim sempre pode piorar.

Foto: Ascom Uespi
Reitoria da Uespi faz malabarismo com dinheiro curto.

Foi o que aconteceu com a publicação do Decreto 24.684, assinado pelo governador Rafael Fonteles, que tirou R$ 904.107,00 das ações de incentivo à residência e preceptoria em saúde e colocou em despesas administrativas.

Malabarismos

O mesmo decreto faz malabarismos orçamentários ao destinar para ações administrativas recursos que deveriam ser usados em programas relacionados ao melhoramento genético e à agricultura familiar (R$ 388.466,54); obras de urbanização, esporte e lazer (R$ 39.740,00); e gestão de segurança e inteligência do sistema prisional (R$ 25.424,04).

Suplente

Não se fala em outra coisa que não seja o erro de cálculo do deputado estadual Evaldo Gomes, que, filiado ao PT, estaria sob risco de terminar a eleição como suplente.

Foto: Foto: Divulgação/Alepi
Evaldo Gomes pode ser vítima de sua “engenhosidade” nesta eleição.

Faz quatro eleições que Gomes mexe, remexe e consegue um mandato mesmo em partidos menores.
Dessa vez, no bonde do 13, há quem diga que ele se dará mal.

Abandonado

O PT deixou seu candidato a governador no Maranhão, Felipe Camarão, a ver navios. Nem dinheiro do fundo eleitoral aportou na campanha do atual vice-governador do Maranhão.

Foto: Reprodução
Felipe Camarão, candidato a governador no Maranhão, pelo PT, nem verba tem para seguir na campanha.

Na margem esquerda do rio Parnaíba, campanha mesmo só quem faz são os primos Eduardo Braide (PSD) e Orleans Brandão (MDB).

Voto escondido

O Piauí pode estar entrando numa eleição diferente das anteriores. Mais silenciosa, menos apaixonada e com um eleitor que talvez só revele sua verdadeira escolha diante da urna. É o chamado voto escondido: aquele que não vai para a rua, não coloca adesivo e não anuncia preferência.

A aposta nas lideranças

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Rafael ainda acredita no “voto de liderança".

O governo apostou pesado no chamado voto de liderança. Prefeitos, vereadores, deputados, ex-prefeitos e lideranças locais formam uma ampla rede de apoio à reeleição de Rafael Fonteles. É uma campanha fortemente ancorada no poder político, administrativo e financeiro.

Liderança não é eleitor

A grande dúvida é saber se essas lideranças ainda carregam seus eleitores. Uma coisa é o prefeito declarar apoio. Outra é conseguir transferir integralmente esse apoio para a urna. É justamente aí que pode estar uma das maiores incógnitas da eleição.

Outro PT

O PT que levou Wellington Dias ao poder tinha outra lógica. Era um partido conectado a sindicatos, associações de bairro, movimentos sociais, comunidades rurais, organizações populares e comunidades eclesiais de base. Havia militância, sentimento de pertencimento e mobilização espontânea.

Conexão perdida

A atual equipe política do governo, que entende mais de Dom Barreto do que de política do Piauí, parece ter se afastado justamente desses setores que historicamente ajudaram o PT a crescer no Piauí. Ao privilegiar grandes alianças e estruturas de poder, acabou reduzindo a presença nos movimentos sociais e nas bases populares.

Sem povo

Nos eventos de campanha, o que se vê com frequência são autoridades, ocupantes de cargos, aliados, candidatos, aderentes e pessoas ligadas à estrutura política. Falta aquele componente que sempre marcou campanhas petistas: povo mobilizado por sentimento político.

Adesivo por convicção

Campanha popular se mede também nos pequenos sinais. No carro adesivado espontaneamente. Na bandeira colocada na porta de casa. Na pessoa que vai ao evento sem convocação de liderança. Hoje, esses sinais parecem menos presentes do que em antigas campanhas do PT.

Máquina não produz sentimento

A máquina pode reunir prefeitos, financiar grandes estruturas, organizar eventos e construir alianças. O que ela não consegue fabricar com facilidade é sentimento político. E campanha sem sentimento pode produzir uma maioria silenciosa e imprevisível.

O alerta do Datafolha

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Joel na espera que os números mudem.

O Datafolha divulgado nesta semana colocou Rafael Fonteles com 55% na pesquisa estimulada, enquanto Joel Rodrigues aparece com 25%. Rafael segue liderando com vantagem, mas o levantamento reduziu aquela sensação de eleição absolutamente resolvida que havia meses atrás.

O dado que chama atenção

Na pesquisa espontânea, 33% dos eleitores ainda aparecem indecisos. É um número relevante justamente porque ajuda a dimensionar o tamanho do silêncio eleitoral. Há uma parcela expressiva do eleitorado que ainda não revela espontaneamente para onde pretende ir. Imagine que 3/4 desses eleitores resolvam votar em Joel? Teríamos aí, no mínimo, uma eleição que iria pro segundo turno. Impossível não é.

90% ficou para trás

Meses atrás, pesquisas chegaram a apresentar cenários em que Rafael Fonteles ultrapassava 90% dos votos válidos. As metodologias e adversários eram diferentes, portanto não cabe comparação direta. Politicamente, porém, o contraste ajuda a explicar por que o sinal de alerta começou a piscar no governo.

A ironia

Rafael chegou ao poder impulsionado por uma tradição política cuja maior força sempre foi a capilaridade popular. Agora, sua campanha se apoia justamente no caminho inverso: mais engenharia política, mais lideranças e menos mobilização orgânica.

Quem vai à urna?

O eleitor silencioso não discute com prefeito, não confronta vereador e não participa de carreata. Apenas observa. Pode declarar apoio ao candidato da liderança quando perguntado, pode permanecer calado ou simplesmente fugir da política.
Na urna, porém, estará sozinho.

Wellington e suas velhas companhias

Olha Ele aos abraços com Italo Freire, preso algum tempo atrás, por tráfico. Fica vermelha, cara sem vergonha.

A pergunta

A campanha governista tem praticamente todas as grandes lideranças políticas do Estado.
Resta saber se tem também os eleitores dessas lideranças.
A resposta não estará nas fotos dos palanques.
Estará na urna.

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