A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou um estudo visando a futura liga do futebol brasileiro, com foco em melhorias das competições e governança esportiva. O encontro ocorreu no Rio de Janeiro e reuniu representantes dos clubes das Séries A e B para abordar questões críticas como a qualidade dos gramados, o endividamento dos clubes e possíveis mudanças nas regras de rebaixamento.
Um ponto de destaque do estudo foi o alarmante aumento de 147% no endividamento dos clubes entre 2022 e 2024. Apesar de um crescimento nas receitas, a entidade observa que isso não resultou em melhorias significativas na qualidade do futebol brasileiro. Os dados apresentados indicam que os investimentos foram prioritariamente destinados a contratações de jogadores e aumento salarial, em vez de serem usados para a redução das dívidas.
A qualidade dos gramados também foi um tema central. Atualmente, clubes como Atlético-MG e Palmeiras utilizam gramados sintéticos. Em resposta à insatisfação crescente sobre a conservação dos gramados naturais, a CBF busca criar padrões para os tipos de campos permitidos, transferindo a responsabilidade dessas questões para os clubes e propondo uma governança mais eficaz.
A entidade sugere a redução do número de rebaixados na Série A de quatro para três equipes, o que impactaria diretamente as divisões inferiores. Além disso, a permissão para que até nove jogadores estrangeiros atuem por partida, vigente desde 2024, poderá ser revisada, considerando a preocupação de limitar as oportunidades para jogadores da base.
O presidente da CBF, Samir Xaud, enfatizou a necessidade de organizar as pautas mais relevantes antes de avançar na criação da liga única. Ele afirmou que é essencial trabalhar nas questões estruturais do futebol para, então, iniciar a discussão sobre a formação de uma liga única.
A CBF propôs um cronograma para a criação do estatuto da liga única, com etapas previstas para:
Espera-se que o estatuto da liga única seja inaugurado até o final de 2026, trazendo melhorias significativas para o futebol brasileiro.
A CBF apresentou uma análise comparativa entre o futebol brasileiro e outras ligas de destaque, como a Premier League, La Liga e Bundesliga. O estudo aponta um "gap sistêmico" em diversos aspectos, como calendário, infraestrutura de estádios e governança, afetando a valorização do futebol no Brasil. A criação da liga visa não apenas organizar as competições, mas também assegurar a sustentabilidade financeira dos clubes e valorizar o produto futebolístico nacional.