Mudança do X para eleições no Brasil é criticada pelos EUA como censura
Governo americano questiona restrições à recomendação de publicações de candidatos
A subsecretária de Estado dos Estados Unidos para Diplomacia Pública, Sarah B. Rogers, criticou a mudança anunciada pelo X no sistema de recomendação de conteúdos durante o período eleitoral brasileiro de 2026.
A plataforma, pertencente a Elon Musk, informou que alteraria o funcionamento da aba “Para Você” para cumprir as regras eleitorais brasileiras. Entre as mudanças está a criação de um filtro específico para conteúdos publicados por usuários registrados na Justiça Eleitoral como candidatos.
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A partir da nova regra, publicações de candidatos serão exibidas aos usuários que já os seguem, mas deixarão de ser recomendadas pelo algoritmo para pessoas que não acompanham esses perfis.
Segundo o X, a medida atende à Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabelece regras para a recomendação de conteúdos de candidatos pelas plataformas digitais. A norma prevê exceção para publicações impulsionadas mediante pagamento.
Sarah Rogers questionou a medida e afirmou que a transparência sobre o funcionamento dos algoritmos, embora seja defendida por reguladores, também estaria relacionada ao que classificou como censura no Brasil.
A declaração ocorre em meio às discussões entre os governos brasileiro e americano sobre a regulamentação das plataformas digitais e a liberdade de expressão. O tema também envolve decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas a conteúdos publicados nas redes sociais.
O episódio ocorre ainda enquanto o governo do presidente Donald Trump avalia novas medidas contra o ministro Alexandre de Moraes, segundo reportagem do jornal britânico Financial Times. O magistrado já havia sido alvo de sanções dos Estados Unidos em 2025, posteriormente revogadas.
As novas regras do X passam a ser aplicadas no contexto da preparação para as eleições brasileiras de 2026, quando os mecanismos de recomendação das plataformas estarão submetidos às normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Fonte: O Globo