A Uefa anunciou nesta quinta-feira (30) que poderá retirar suas seleções de todas as competições organizadas pela Fifa caso a entidade mantenha o projeto de criar uma empresa para negociar participação minoritária nos direitos comerciais da Copa do Mundo com investidores privados.
A posição foi divulgada em comunicado oficial, no qual a entidade que administra o futebol europeu afirma que nenhuma seleção filiada participará de torneios da Fifa enquanto a proposta permanecer em discussão. A Uefa condiciona uma eventual mudança de posição ao abandono definitivo do projeto e à apresentação de garantias formais de que a governança e as competições da Fifa não serão abertas à participação privada.
O impasse surgiu após o presidente da Fifa, Gianni Infantino, confirmar a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que poderá comercializar uma participação minoritária nos direitos comerciais da Copa do Mundo. Segundo informações divulgadas pela entidade, a operação pode movimentar cerca de US$ 20 bilhões (aproximadamente R$ 102 bilhões).
De acordo com a Fifa, os recursos obtidos com a negociação serão destinados ao desenvolvimento do futebol mundial. A proposta prevê o repasse de US$ 20 milhões para cada uma das 211 federações filiadas em 2027, valor que poderá chegar a US$ 24 milhões por associação em 2035, desde que o projeto seja aprovado.
A iniciativa, no entanto, encontrou resistência entre confederações continentais. Além da Uefa, a Concacaf, responsável pelas federações da América do Norte, Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestaram oposição ao plano. Juntas, as três entidades representam 143 das 211 associações nacionais vinculadas à Fifa.
A AFC afirmou que não foi consultada previamente sobre a proposta e criticou a condução do processo. Já a Confederação Africana de Futebol (CAF) adotou posição mais cautelosa, orientando suas federações a analisar o projeto antes de definir um posicionamento oficial.
O embate expõe uma divergência sobre o modelo de financiamento e gestão das principais competições do futebol mundial e pode influenciar as discussões internas da Fifa nos próximos meses.