A União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) afirmou nesta quinta-feira (6) que mantém a ameaça de boicote a competições organizadas pela Fifa, incluindo a Copa do Mundo. A entidade declarou que ainda não foram atendidas as condições para recuperar a confiança na gestão do presidente da federação internacional, Gianni Infantino.
Em comunicado enviado à emissora britânica Sky News, a Uefa afirmou que as 55 associações filiadas estabeleceram duas condições para encerrar o impasse: a retirada definitiva da proposta de vender participação comercial em torneios da Fifa e garantias de que iniciativas semelhantes não serão apresentadas novamente.
Segundo a entidade europeia, o pedido de desculpas feito por Infantino na quarta-feira (5), quando anunciou o abandono do projeto, não foi suficiente para alterar sua posição.
"A Uefa deixou claro que perdeu a confiança na presidência de Gianni Infantino. Essa posição permanece", afirmou a entidade no comunicado.
A manifestação ocorre após a Fifa confirmar que desistiu da proposta de criar uma empresa para comercializar participação nos direitos de competições como a Copa do Mundo. A ideia previa a entrada de investidores privados em uma estrutura ligada às receitas dos torneios.
O plano gerou reação imediata entre dirigentes europeus, que aprovaram por unanimidade a possibilidade de não participar de competições da Fifa caso a iniciativa fosse mantida.
A Uefa também criticou a reunião realizada pela Fifa no Marrocos, na qual dirigentes da entidade declararam apoio a Infantino. Para a federação europeia, o posicionamento de integrantes ligados à administração da Fifa não resolve a crise institucional.
Apesar da desistência do projeto, a Uefa afirma que ainda espera garantias formais de que propostas semelhantes não voltarão a ser apresentadas. O conflito amplia a tensão entre as duas principais entidades do futebol mundial e coloca em discussão o modelo de gestão comercial das competições internacionais.