O Mercosul assinou nesta terça-feira (16), no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, um acordo de livre comércio com os quatro países que integram a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta): Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. A parceria, resultado de negociações iniciadas em 2017 e concluídas em junho de 2025, estabelece um mercado de 290 milhões de consumidores e movimenta um PIB conjunto de US$ 4,39 trilhões. O tratado foi celebrado como um marco para ampliar a integração comercial entre América do Sul e Europa, paralelamente às tratativas com a União Europeia.
Durante a cerimônia, que reuniu ministros e diplomatas dos países membros, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o acordo simboliza um passo decisivo em defesa do multilateralismo em meio ao avanço do protecionismo global. Ele reforçou que a iniciativa trará benefícios sociais e econômicos, como geração de empregos, fortalecimento de cadeias produtivas e incentivo à inovação. Já o chanceler Mauro Vieira ressaltou que a assinatura às vésperas da COP30, em Belém, demonstra o compromisso de integrar comércio, sustentabilidade e desenvolvimento.
Segundo o Itamaraty, a Efta eliminará 100% das tarifas sobre importações industriais e pesqueiras, abrindo novas oportunidades para produtos agrícolas do Mercosul, como carnes, milho, soja, café e frutas. Além do comércio, o tratado inclui disposições sobre investimentos, propriedade intelectual, compras públicas, defesa comercial e medidas ambientais inovadoras, como a exigência de matriz elétrica com pelo menos 67% de energia limpa para prestadores de serviços digitais. Em contrapartida, os países sul-americanos também ampliarão a abertura a produtos do bloco europeu.
Apesar da assinatura, o acordo não entra em vigor de imediato: ainda precisa passar por processos internos de aprovação nos países envolvidos, incluindo o Congresso Nacional no Brasil. Em nota conjunta, os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reforçaram que o Brasil também negocia tratados com Emirados Árabes Unidos, Canadá, México e Índia, além de esperar concluir ainda em 2025 o acordo com a União Europeia, que criará um mercado estimado em mais de 700 milhões de pessoas.