O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (10) um conjunto de mudanças nas regras de aplicação da poupança com o objetivo de aumentar o crédito imobiliário e facilitar o acesso da classe média à casa própria. O novo modelo, que faz parte da política habitacional do governo federal, permitirá financiamentos com juros mais baixos para imóveis de até R$ 2,5 milhões.
Durante o evento realizado em São Paulo, Lula destacou que a iniciativa foi pensada para atender famílias com renda a partir de R$ 12 mil, que buscam moradias mais amplas e próximas dos locais onde vivem ou trabalham.
“Esse programa foi feito pensando em dar àqueles que ainda não têm o direito de ter a sua casinha um pouco melhor. Ele não quer uma casa de 40 metros quadrados, ele quer uma casa de 70, de 80 metros quadrados. Ele não quer morar nos ‘cafundós do Judas’, ele quer morar em um lugar mais próximo de onde está habituado a viver”, declarou o presidente.
O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Jader Filho (Cidades) e Márcio Macêdo (Secretaria-Geral da Presidência), além dos presidentes do Banco Central, Gabriel Galípolo, e da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira.
Liberação gradual da poupança
O novo modelo prevê uma reforma estrutural no uso da poupança para ampliar o crédito imobiliário. Atualmente, 65% dos recursos da poupança são aplicados obrigatoriamente em crédito imobiliário, 20% são depósitos compulsórios no Banco Central e 15% são de aplicação livre.
A proposta do governo é liberar progressivamente esses recursos: o percentual de depósitos compulsórios será reduzido de 20% para 15% ainda neste ano, depois para 5%, até ser totalmente extinto, junto com a obrigatoriedade de 65% de aplicação em crédito imobiliário.
Quando o modelo estiver totalmente implementado, previsto para 2027, o volume de crédito no setor deverá crescer significativamente, tornando a poupança uma fonte mais eficiente de financiamento.
Expansão na Caixa Econômica
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, a mudança permitirá à Caixa Econômica Federal ofertar 80 mil novos financiamentos habitacionais até 2026, com juros de até 12% ao ano.
“O objetivo é criar alternativas para as famílias da classe média, que muitas vezes ficam sem acesso a crédito. Agora, elas terão condições de financiar imóveis compatíveis com sua renda”, explicou o ministro.
Com as novas regras, o teto de valor para imóveis financiados pelo Sistema Financeiro da Habitação (SFH) sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,5 milhões, ampliando o público atendido e impulsionando o setor da construção civil.