Alta do diesel expõe fragilidade do mercado de combustíveis, diz FUP

Federação critica privatizações no setor e defende Petrobras mais integrada na cadeia

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que o reajuste do diesel anunciado nesta sexta-feira (13) pela Petrobras evidencia fragilidades na estrutura do mercado de combustíveis no Brasil. Para a entidade, a venda de refinarias e a privatização da distribuidora da estatal reduziram a capacidade de o país enfrentar oscilações externas.

Em nota divulgada após o anúncio do aumento, a federação avalia que mudanças na estrutura do setor energético, especialmente a redução da presença estatal na cadeia de abastecimento, limitaram a capacidade de resposta do mercado brasileiro a choques internacionais.

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Entre os pontos citados pela entidade estão a venda de refinarias da Petrobras e a privatização da BR Distribuidora, concluída em 2019. Segundo a FUP, essas medidas reduziram a integração da companhia no setor e aumentaram a dependência do país de fatores externos para a formação de preços.

A federação defende que a Petrobras amplie o parque de refino nacional e fortaleça sua atuação em toda a cadeia produtiva, incluindo distribuição e comercialização de combustíveis.

De acordo com a entidade, uma empresa mais integrada poderia aumentar a segurança do abastecimento e reduzir a exposição do mercado doméstico às oscilações internacionais. “Uma Petrobras integrada amplia a segurança do abastecimento, reduz a vulnerabilidade do país às oscilações externas e contribui para maior estabilidade na formação dos preços”, afirmou a organização.

O posicionamento foi divulgado no mesmo dia em que a Petrobras anunciou reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel vendido às distribuidoras, válido a partir de sábado (14). Com a mudança, o preço médio do combustível comercializado pela estatal passa a R$ 3,65 por litro.

Segundo a empresa, a participação da Petrobras no valor final do diesel B — combustível já misturado com biocombustíveis e vendido nos postos — será, em média, de R$ 3,10 por litro.

O diesel A corresponde ao produto vendido nas refinarias antes da mistura obrigatória com biocombustíveis. Já o diesel B é o combustível final que chega ao consumidor.

A estatal informou que o impacto do reajuste foi parcialmente reduzido por medidas anunciadas pelo governo federal na quinta-feira (12) para conter a escalada dos preços. Ainda assim, o cenário internacional tem pressionado as cotações.

O aumento está ligado à disparada do preço do petróleo após a escalada militar no Oriente Médio. A ofensiva conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã completou duas semanas nesta sexta-feira, ampliando temores sobre interrupções na oferta global de energia.

Uma das possíveis respostas de Teerã seria o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. A possibilidade de restrições na região elevou os preços internacionais do petróleo.

O contrato futuro do barril do Brent crude oil, referência no mercado global, era negociado nesta sexta-feira próximo de US$ 100. Há duas semanas, a cotação girava em torno de US$ 70 — alta de cerca de 40% no período.

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