A inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro brasileiro alcançou 4,7% em maio, o maior índice desde o início da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. O percentual representa um aumento em relação aos 4,6% registrados em abril e reflete o crescimento dos atrasos superiores a 90 dias no pagamento de empréstimos e financiamentos por pessoas físicas e jurídicas. Os dados fazem parte do Relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgado nesta quarta-feira (1º) pela autoridade monetária.
O avanço foi impulsionado principalmente pelas famílias, cuja taxa de inadimplência subiu de 5,5% para 5,6%, estabelecendo um novo recorde da série. Entre as empresas, o índice passou de 3,1% para 3,24%, o maior patamar desde novembro de 2017. Nas operações com recursos livres, em que bancos e clientes negociam diretamente as condições dos empréstimos, a inadimplência também avançou, passando de 6,1% para 6,2%. Já nas linhas de crédito com recursos direcionados, como financiamentos habitacionais e rurais, a taxa aumentou de 2,7% para 2,8%.
Apesar do aumento dos atrasos, a taxa média de juros das operações de crédito apresentou leve recuo em maio, passando de 33,5% para 33,4% ao ano. No entanto, algumas modalidades continuaram registrando alta, como o crédito rotativo do cartão, cuja taxa anual subiu de 432% para 439,9%. O parcelamento da fatura do cartão também ficou mais caro, enquanto o cheque especial foi uma das poucas modalidades que registraram redução nos juros durante o período analisado.
Mesmo diante do cenário de maior inadimplência, o volume de novos empréstimos concedidos pelas instituições financeiras continuou crescendo. Em maio, as concessões de crédito somaram R$ 694,2 bilhões, com alta de 0,7% em relação ao mês anterior na série com ajuste sazonal. O crescimento foi impulsionado principalmente pelas operações destinadas às pessoas físicas, enquanto as concessões para empresas apresentaram retração. Os números reforçam o desafio do sistema financeiro em equilibrar a expansão do crédito com o aumento do risco de inadimplência observado no país.