Entidades que representam a indústria e o comércio defenderam que o governo brasileiro priorize o diálogo com os Estados Unidos após o anúncio de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. Na avaliação do setor produtivo, uma eventual resposta com base na Lei de Reciprocidade pode intensificar a disputa comercial e ampliar os impactos sobre empresas, empregos e consumidores.
A manifestação ocorre após o Palácio do Planalto anunciar que dará início aos procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade, classificando como "arbitrária e injustificada" a decisão do governo de Donald Trump. Além da reação interna, o Brasil informou que pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
O novo aumento tarifário, de 12,5%, foi justificado pelos Estados Unidos sob o argumento de que diversos países, entre eles o Brasil, falharam na fiscalização da entrada de produtos associados ao trabalho forçado. A medida se soma ao tarifaço de 25% anunciado anteriormente, relacionado a alegações de práticas comerciais consideradas desleais por Washington.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) afirmou que acompanha o caso com preocupação, mas defendeu que o governo brasileiro evite medidas de retaliação. Para a entidade, a prioridade deve ser a retomada das negociações e o fortalecimento dos canais diplomáticos para impedir o agravamento das tensões entre os dois países.
Posição semelhante foi adotada pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil). Embora reconheça que a nova tarifa reduz a competitividade das exportações brasileiras no mercado norte-americano, a entidade avalia que a reciprocidade pode ampliar os prejuízos econômicos ao elevar custos para empresas, trabalhadores e consumidores.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também reforçou a defesa da negociação. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que manter o diálogo com os Estados Unidos continua sendo a principal alternativa para buscar uma solução para o impasse comercial.
Nos bastidores do Itamaraty, porém, a percepção de diplomatas é diferente. Integrantes da pasta avaliam que o governo norte-americano não demonstrou disposição para negociar de forma efetiva e que as conversas realizadas até o momento tiveram caráter apenas protocolar.
Mesmo com o anúncio do Planalto, a aplicação da Lei de Reciprocidade depende de etapas previstas na legislação, como a realização de consultas públicas, análise das manifestações dos setores envolvidos e definição das eventuais contramedidas. Diplomatas defendem que qualquer reação seja cuidadosamente calibrada para evitar impactos ainda maiores sobre a economia brasileira.