Bancos privados adiam adesão ao Desenrola Adimplente

Bradesco, Itaú e Santander avaliam programa; setor considera público-alvo restrito.

Quase um mês após o lançamento do Desenrola Adimplente, os principais bancos privados do país ainda não aderiram ao programa do governo federal. Bradesco, Itaú e Santander seguem analisando a viabilidade da iniciativa, enquanto entidades do setor avaliam que as regras limitam o alcance da medida.

Foto: Reprodução
Principais bancos privados ainda avaliam adesão ao Desenrola Adimplente.

Criado no fim de junho, o Desenrola Adimplente é voltado a trabalhadores informais com dívidas de até R$ 15 mil e oferece uma linha de crédito subsidiada, com juros de 1,99% ao mês, para refinanciar débitos existentes. Na prática, o beneficiário contrata um novo financiamento para quitar a dívida anterior.

Até o momento, apenas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil confirmaram participação no programa. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, um ou dois bancos privados também demonstraram interesse, mas ainda não anunciaram adesão.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) afirmou que o programa ainda está em fase de implementação e que as instituições financeiras trabalham na adaptação às regras operacionais. A entidade informou que acompanha o processo e presta suporte técnico aos bancos associados.

Já a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) avalia que os critérios de elegibilidade reduziram o potencial de alcance da iniciativa. A estimativa da entidade é de que entre 3 milhões e 4 milhões de pessoas atendam aos requisitos do programa.

Entre as exigências estão estar em dia com o pagamento das parcelas, não possuir vínculo empregatício formal e ter saldo devedor de até R$ 15 mil. Para representantes do setor, essas condições restringem o número de beneficiários e diminuem o interesse das instituições financeiras, que precisam investir em sistemas e equipes para oferecer a modalidade.

A ABBC também aponta dúvidas sobre a demanda por parte dos próprios clientes. A avaliação é de que muitos dos trabalhadores que atendem aos critérios já estejam próximos de quitar seus financiamentos, reduzindo o interesse por uma nova operação de crédito.

Em nota, o Ministério da Fazenda informou que o Desenrola Adimplente continua em fase de implementação e destacou que a participação das instituições financeiras é voluntária. Segundo a pasta, as adesões devem ocorrer de forma gradual, à medida que os bancos concluam as análises e adaptações necessárias.

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