Uso de canetas emagrecedoras muda consumo em restaurantes

Setor registra queda nos pratos à la carte e avanço da procura por buffets por quilo.

O avanço do uso de medicamentos para emagrecimento tem alterado os hábitos alimentares dos brasileiros e impactado o setor de alimentação. Levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 61% dos empresários perceberam mudanças no comportamento dos clientes, com aumento da procura por refeições menores e mais leves, favorecendo os restaurantes por quilo.

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Uso de canetas emagrecedoras altera hábitos alimentares e favorece restaurantes por quilo.

A pesquisa da Abrasel revela que a mudança no perfil de consumo já é percebida em estabelecimentos de diferentes regiões do país. Segundo o levantamento, 64% dos empresários registraram aumento na procura por porções menores e pratos compartilhados, enquanto 56% observaram queda nos pedidos de pratos principais e refeições à la carte. O consumo de sobremesas também sofreu alterações, segundo 65% dos entrevistados.

Com a redução do apetite provocada pelas chamadas canetas emagrecedoras, muitos consumidores passaram a optar pelo sistema de buffet por quilo, que permite montar o prato de acordo com a quantidade desejada e pagar apenas pelo que será consumido.

A farmacêutica Aline Medina, que perdeu 23 quilos com acompanhamento médico e uso da medicação, afirma que deixou de frequentar rodízios e passou a priorizar restaurantes por quilo. Segundo ela, a possibilidade de escolher os alimentos e controlar as porções contribuiu para manter os novos hábitos alimentares.

Nos restaurantes, a mudança também tem exigido adaptações. Proprietários relatam redução no peso médio dos pratos, aumento da procura por carnes, saladas e legumes e menor consumo de alimentos ricos em carboidratos e frituras.

Para atender ao novo perfil dos clientes, alguns estabelecimentos ampliaram a variedade de saladas, criaram áreas exclusivas para alimentos frescos e ajustaram a precificação de pratos com maior quantidade de proteínas, diante da crescente demanda por esse tipo de alimento.

Empresários do setor também afirmam que clientes que antes consumiam refeições mais volumosas agora optam por porções significativamente menores, refletindo diretamente no movimento e na composição dos buffets.

Segundo a nutricionista Paula Uessugue, professora do Centro Universitário Uniceplac, os medicamentos atuam nos mecanismos responsáveis pela fome e pela saciedade, reduzindo naturalmente a quantidade de alimentos ingerida. Ela destaca que os restaurantes por quilo facilitam a montagem de refeições mais equilibradas, com variedade de verduras, legumes, proteínas e carboidratos na medida necessária.

Apesar dos benefícios, a especialista ressalta que o uso das medicações deve ser acompanhado por profissionais de saúde. Segundo ela, o tratamento precisa estar associado à educação alimentar para garantir a ingestão adequada de nutrientes e evitar deficiências nutricionais durante o processo de emagrecimento.

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