STF inicia julgamento sobre proibição dos jogos de azar e cassinos no Brasil

Supremo analisa validade da lei que criminaliza bingos e cassinos desde a Constituição

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou o julgamento que poderá redefinir o futuro da exploração de jogos de azar no Brasil. Os ministros analisam se o artigo 50 da Lei de Contravenções Penais, que criminaliza a exploração de atividades como cassinos, bingos, caça-níqueis e jogo do bicho, foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. A discussão não envolve as apostas esportivas de quota fixa, conhecidas como bets, mas pode influenciar o debate sobre a regulamentação desse mercado em julgamentos futuros.

Foto: PCDF

O caso começou a ser analisado com o voto do relator, ministro Luiz Fux, que não concluiu sua manifestação devido ao encerramento da sessão e dará continuidade ao voto na próxima reunião do plenário. Durante a apresentação, Fux afirmou que a Corte discute a proteção de bens jurídicos relevantes, destacando que a exploração de jogos de azar pode favorecer práticas como lavagem de dinheiro, fortalecimento de organizações criminosas e disputas ilegais pelo controle da atividade. O ministro também antecipou que o STF deverá enfrentar, em setembro, o julgamento da legislação que regulamenta as bets no país.

Durante a sessão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a manutenção da proibição prevista na Lei de Contravenções Penais. Segundo ele, o Congresso Nacional exerceu legitimamente sua competência ao restringir a exploração dos jogos de azar, buscando proteger não apenas o patrimônio dos apostadores, mas também a saúde pública, diante dos riscos de dependência, transtornos psiquiátricos e impactos sociais provocados pelo vício em apostas. Gonet argumentou ainda que os efeitos negativos atingem também familiares e pessoas próximas aos jogadores compulsivos.

O julgamento ocorre em meio ao avanço das discussões sobre a regulamentação das apostas no Brasil e poderá servir como referência para futuras decisões relacionadas ao setor. Caso o STF conclua que a proibição não é compatível com a Constituição, a exploração de jogos físicos poderá ganhar novo cenário jurídico, com reflexos sobre propostas em tramitação no Congresso Nacional. A decisão é acompanhada de perto por representantes do setor de entretenimento, operadores de apostas e especialistas em direito constitucional e econômico

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