Exportações brasileiras aos EUA recuam 5% em julho após novo tarifaço

Embarques caíram US$ 200 milhões ante junho; governo prepara apoio às empresas afetadas

As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 5% em julho, na comparação com junho, após a entrada em vigor de novas tarifas aplicadas pelo governo norte-americano. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira (6) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país deixou de enviar cerca de US$ 200 milhões em produtos para o mercado norte-americano.

Foto: reprodução/Agência Brasil

Entre janeiro e julho, as exportações brasileiras para os Estados Unidos acumulam queda de 12,2%, o equivalente a US$ 2,9 bilhões a menos em relação ao mesmo período de comparação. Parte desse resultado, segundo o governo, está relacionada aos efeitos da primeira rodada de tarifas aplicada pelos Estados Unidos em julho de 2025.

A nova cobrança entrou em vigor em 24 de julho e estabelece uma tarifa de 37,5% para diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. O percentual corresponde à soma de duas tarifas, de 25% e 12,5%.

Segundo o Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a medida está relacionada a alegações de que o Brasil e outros países não fiscalizam de maneira adequada a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado.

A retração das vendas brasileiras também foi registrada em outros mercados importantes. Os embarques para a Argentina recuaram 13,9%, enquanto as exportações para o México tiveram queda de 4,4%.

Apesar das dificuldades em alguns mercados, a balança comercial brasileira terminou julho com saldo positivo de US$ 7,1 bilhões. No mês, o país exportou US$ 34,119 bilhões e importou US$ 27,052 bilhões.

Diante dos efeitos das tarifas norte-americanas sobre empresas brasileiras, o governo federal criou, por meio de decreto, o Conselho Interministerial do Plano Brasil Soberano III. O grupo será responsável por analisar, aprovar e acompanhar a aplicação dos recursos destinados ao programa.

O conselho deverá avaliar quais setores da economia estão sendo afetados pelas tarifas e quais empresas poderão ter acesso às medidas de apoio financeiro.

A nova etapa do Brasil Soberano prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de financiamento para empresas brasileiras de setores considerados estratégicos para a balança comercial. Os recursos também poderão atender negócios afetados por conflitos internacionais e pelo avanço de medidas protecionistas no comércio mundial.

O programa terá recursos administrados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o objetivo de oferecer suporte financeiro às empresas afetadas pelo cenário de restrições comerciais e preservar a capacidade de atuação do setor produtivo brasileiro no mercado internacional.

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