A atividade econômica brasileira recuou pelo segundo mês consecutivo em julho e iniciou o terceiro trimestre em ritmo mais fraco do que o esperado. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta quarta-feira (16), o IBC-Br, indicador utilizado como sinalizador do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), registrou queda de 0,2% no mês, considerando os dados com ajuste sazonal.
O resultado veio abaixo da expectativa de analistas consultados pela Reuters, que projetavam retração de 0,1%. O Banco Central também revisou o resultado de junho, que passou de uma queda anteriormente estimada em 0,6% para recuo de 0,8%.
Apesar das quedas mensais, o indicador apresentou resultado positivo nas comparações de prazo mais longo. Em relação a julho do ano passado, o IBC-Br avançou 1,1%. No acumulado de 12 meses, a alta chegou a 1,5%, segundo os dados sem ajuste sazonal.
O desempenho ocorre após o PIB brasileiro crescer 0,5% no segundo trimestre, entre abril e junho. O resultado representou uma desaceleração em relação aos três primeiros meses do ano, em um período marcado pela redução do consumo das famílias e pela perda de ritmo da indústria, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os números de julho apontaram desempenho mais fraco nos principais segmentos da economia. A agropecuária recuou 1,2%, enquanto a indústria apresentou queda de 0,4%. O setor de serviços ficou praticamente estável. Quando a agropecuária é retirada do cálculo, o IBC-Br ainda registra retração de 0,1%.
Na avaliação do economista-chefe da MAG Investimentos, Felipe Rodrigo de Oliveira, o resultado reforça a expectativa de uma atividade econômica mais moderada no terceiro trimestre. Segundo ele, o PIB pode apresentar crescimento próximo da estabilidade no período.
A agropecuária teve papel importante no resultado de julho. Para o economista Rafael Perez, da Suno Research, a acomodação do setor já era esperada após a concentração de parte relevante da produção e das colheitas nos primeiros meses do ano. Ele também apontou que as condições climáticas podem limitar o desempenho da atividade nos meses seguintes.
Os dados divulgados pelo IBGE mostram que os diferentes setores tiveram resultados distintos em julho. A produção industrial avançou 0,2% em relação a junho, interrompendo uma sequência de dois meses de queda. O volume de serviços permaneceu estável, enquanto as vendas do comércio varejista recuaram 0,8%, resultado mais negativo do que o previsto pelo mercado.
O desempenho da economia também ocorre em um ambiente de juros elevados. A taxa Selic estava em 14% ao ano, enquanto o mercado acompanhava a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para esta quarta-feira, quando seria anunciada uma nova decisão sobre a taxa básica de juros.
Para o conselheiro da Ancord Pablo Spyer, a perda de ritmo da atividade pode abrir espaço para uma trajetória de redução dos juros, embora fatores como as expectativas de inflação, as condições fiscais e o cenário internacional possam exigir cautela na condução da política monetária.
As projeções reunidas pelo Banco Central na pesquisa Focus mais recente apontavam crescimento de 1,89% do PIB em 2026. Para 2027, a expectativa do mercado era de expansão de 1,45%.
O IBC-Br é calculado pelo Banco Central a partir de indicadores que representam o volume de produção da agropecuária, da indústria e dos serviços, além do volume dos impostos incidentes sobre a produção. Embora seja acompanhado pelo mercado como uma referência para a atividade econômica, o índice não substitui o PIB oficial, calculado e divulgado pelo IBGE.