Muito além da paixão pelo futebol, o tradicional álbum de figurinhas da Copa do Mundo tem se consolidado como uma ferramenta de interação entre gerações e de desenvolvimento infantil. A edição de 2026 tornou-se um fenômeno editorial, sendo a publicação mais vendida do Brasil em maio, com mais de 125 mil exemplares comercializados. O sucesso também movimentou cerca de R$ 45 milhões em vendas de álbuns e pacotes de figurinhas em menos de um mês, refletindo o entusiasmo dos torcedores pela maior coleção da história dos Mundiais, com 1.048 cromos entre comuns e especiais.
Para muitas famílias, completar o álbum representa uma oportunidade de compartilhar experiências e criar memórias. É o caso de José Orlean Borges e do filho Heitor, de 8 anos, que transformaram a abertura dos pacotinhos e a troca de figurinhas em um momento de convivência. Segundo o pai, a atividade resgata lembranças da própria infância e fortalece o vínculo familiar. A expectativa por encontrar figurinhas de ídolos como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo torna a experiência ainda mais especial para pai e filho.
Especialistas destacam os benefícios psicológicos e educacionais da atividade. De acordo com o professor de Psicologia da Wyden, Judson Alves, o álbum incentiva o diálogo, a cooperação e a negociação em uma época marcada pelo excesso de telas e interações virtuais. A dinâmica das trocas também contribui para o desenvolvimento de habilidades sociais, como empatia, tolerância à frustração e respeito às diferenças, desde que haja a mediação de pais e educadores para garantir relações saudáveis entre as crianças.
O álbum também estimula competências cognitivas importantes, como atenção, memória, raciocínio lógico, organização e percepção visual. Ao conhecer bandeiras, seleções e países participantes da Copa, crianças e adolescentes ampliam seu repertório cultural e podem aprender conteúdos de Geografia, História, Matemática e Educação Física de forma lúdica. Produzidos oficialmente pela Panini desde a Copa de 1970, os álbuns seguem atravessando gerações e demonstram que colecionar figurinhas continua sendo uma atividade capaz de unir diversão, aprendizado e convivência familiar.