Dentista é presa em flagrante por vender canetas emagrecedoras sem registros

Polícia apreendeu Tirzepatida vendida por WhatsApp em São Raimundo Nonato

Uma dentista de 34 anos foi presa em flagrante nesta na última segunda-feira, 6 de julho, em São Raimundo Nonato. A Polícia Civil apreendeu frascos de Tirzepatida e outros produtos durante cumprimento de mandado de busca e apreensão.


O flagrante

Marielli Cruz Oliveira, proprietária da Clínica Cruz, foi conduzida à Central de Flagrantes de São Raimundo Nonato por volta das 7 horas da manhã. A prisão ocorreu durante cumprimento de mandado expedido pela Central Regional de Inquéritos II.


Policiais encontraram na geladeira da residência da investigada três caixas de Tirzepatida. Duas continham quatro frascos lacrados cada, e a terceira trazia três frascos lacrados e um já aberto. Também foram apreendidos dois celulares, seringas de insulina e outros materiais hospitalares.

A dentista foi indiciada por falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos, crime previsto no artigo 273 do Código Penal e classificado como hediondo. Ficou presa sem direito a fiança e será levada à audiência de custódia.


Origem da investigação

O caso nasceu de denúncia anônima repassada por servidores da fiscalização municipal de São João do Piauí. A denúncia apontava a revenda ilegal do medicamento conhecido como Mounjaro, de princípio ativo tirzepatida, sem prescrição médica.

Relatório da Polícia Civil identificou Marielli como o polo de distribuição original dos medicamentos. Ela é graduada em Odontologia e não possui registro no Conselho Federal de Medicina, segundo consulta ao site do órgão anexada ao inquérito.


Divulgação por WhatsApp

Prints anexados ao relatório mostram mensagens enviadas por lista de transmissão, oferecendo doses de Tirzepatida a preços que variavam de R$ 80 a R$ 320, conforme a dosagem. Uma ampola de 15 mg era vendida por R$ 390. Segundo os investigadores, as conversas eram programadas em modo de visualização única, o que dificultava a fiscalização. O relatório aponta ainda que a investigada promovia os produtos em transmissões ao vivo e em publicações voltadas a clientes da própria clínica.


Buscas em São João do Piauí

Na mesma operação, a polícia cumpriu mandados nas casas de outros suspeitos em São João do Piauí. Na residência de um indivíduo de nome Jardel, foram apreendidos um frasco de Tirzepatida de origem ignorada, treze seringas e dois celulares. Ele também foi conduzido à delegacia.


Na casa de um suspeito identificado como “Mourinha”, a polícia apreendeu uma espingarda, munições, espoletas, um frasco de Tirzepatida, uma seringa, substância em pó, balança de precisão e sacos plásticos. O investigado não foi localizado no momento da diligência. Buscas nas residências de uma mulher de nome Mirelle e Paraguai não resultaram em apreensões.


Decisão judicial

Na decisão que autorizou as buscas, o juiz Julio Cesar Menezes Garcez classificou a medida como excepcional, mas considerou presentes os indícios de materialidade e autoria. A decisão cita o baixo valor cobrado pelas doses como indicativo de que os produtos têm procedência ignorada ou são contrafeitos. O magistrado autorizou ainda a quebra de sigilo telemático dos aparelhos apreendidos, com prazo de 45 dias para conclusão das diligências.

 

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