STF deve encerrar de vez o orçamento secreto

Transparência é condição para fortalecer a democracia

O futuro da administração pública brasileira passa, inevitavelmente, pela transparência na aplicação dos recursos da União. O chamado orçamento secreto tornou-se um dos símbolos da crise de confiança entre a sociedade e as instituições, ao permitir a destinação de bilhões de reais por mecanismos amplamente questionados quanto à publicidade e ao controle dos gastos.

Foto: Reprodução

Na avaliação deste articulista, o Supremo Tribunal Federal deve colocar um ponto final em qualquer modelo que reproduza as características do orçamento secreto ou permita a distribuição de verbas sem total transparência. A Constituição Federal estabelece que a administração pública deve observar os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Esses fundamentos não podem ser relativizados por conveniências políticas.

A discussão não pertence à esquerda, à direita ou ao centro. Qualquer presidente da República precisa governar com base em regras claras, respeito às instituições e diálogo entre os Poderes, sem depender de mecanismos que fragilizem o controle sobre o dinheiro público. O orçamento nacional pertence aos brasileiros e deve ser administrado com absoluta transparência.

A sociedade também tem um papel essencial nesse processo. A participação cidadã, por meio do acompanhamento da atuação dos representantes eleitos, da cobrança por prestação de contas e de manifestações públicas pacíficas, constitui um instrumento legítimo de fortalecimento da democracia. A fiscalização popular amplia a responsabilidade dos agentes públicos e contribui para impedir práticas incompatíveis com o interesse coletivo.

O Brasil precisa consolidar uma cultura de responsabilidade na gestão dos recursos públicos. O combate à falta de transparência não deve depender de quem ocupa o poder, mas do compromisso permanente com os princípios republicanos. Encerrar definitivamente mecanismos que dificultem o controle social representa um passo importante para fortalecer a democracia, proteger o patrimônio público e ampliar a confiança da população nas instituições.

Leia também