Brasil chega à negociação com EUA sem proposta inicial

Governo quer definir regras do diálogo antes de discutir tarifas, setores e exceções

O governo brasileiro pretende iniciar a reunião com os Estados Unidos na próxima segunda-feira (31) sem apresentar uma proposta comercial inicial. A estratégia é usar o primeiro encontro para estabelecer como serão conduzidas as negociações antes de discutir tarifas, setores específicos ou uma eventual lista de produtos beneficiados por exceções.

Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert/PR
Lula e Trump durante encontro na Casa Branca, nos Estados Unidos.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (27) estar “animadíssimo” com a retomada do diálogo, mas reconheceu que o processo será difícil.

A reunião será realizada por videoconferência entre Elias Rosa e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro ocorre após a conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump.

Segundo o ministro, o contato entre os dois presidentes abriu espaço para que Brasília retomasse as negociações sem precisar fazer uma oferta prévia aos Estados Unidos. Antes do telefonema, de acordo com Elias Rosa, essa possibilidade não estava colocada.

A avaliação do governo é que apresentar uma proposta antes de estabelecer as bases da negociação poderia colocar o Brasil em uma posição menos favorável. Lula já informou a Trump que o governo brasileiro considera indevidas e prejudiciais às exportações as tarifas adicionais aplicadas pelos Estados Unidos, mas mantém disposição para buscar um acordo.

Definição do formato

A primeira etapa da negociação deverá ser a definição das regras e do caminho a ser seguido pelos dois países. Elias Rosa afirmou que a reunião de segunda-feira não terá como foco imediato a ampliação da lista de produtos brasileiros livres das tarifas.

Entre as possibilidades estão uma negociação ampla, acordos específicos por setores ou a elaboração de listas de exceções. A escolha do formato deverá ocorrer durante as primeiras conversas.

O ministro citou segmentos como máquinas, bens industriais, produtos químicos, autopeças, etanol, açúcar, defensivos agrícolas e fertilizantes como áreas que podem fazer parte das discussões.

A estratégia, segundo ele, busca evitar uma negociação fragmentada antes que os governos definam os parâmetros gerais do entendimento.

Governo mantém medidas de pressão

A Lei da Reciprocidade Econômica continuará disponível como instrumento de negociação. A legislação permite ao governo brasileiro adotar medidas de resposta diante de ações comerciais consideradas prejudiciais ao país.

Elias Rosa afirmou, porém, que a prioridade neste momento é encontrar uma solução negociada com Washington. O ministro também disse que o Brasil não pretende apresentar propostas que provoquem prejuízos à economia nacional.

Além do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Itamaraty deverá participar das tratativas. A expectativa é de que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também integre a reunião.

Embora o governo trate um entendimento com os Estados Unidos como prioridade, ainda não há prazo definido para a conclusão das negociações.

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