O Dia Nacional da Infância, celebrado no Brasil em agosto, reforça que garantir uma infância saudável envolve muito mais do que alimentação, educação e momentos de diversão. A data propõe uma reflexão sobre saúde, desenvolvimento, proteção e direitos básicos das crianças. Para a pediatra Camila Arcanjo, do Instituto de Educação Médica (IDOMED), os primeiros anos de vida são fundamentais para a formação física, emocional e social, tornando necessário o acompanhamento contínuo desde cedo.
Segundo a especialista, as consultas pediátricas de rotina devem ser mantidas mesmo quando a criança aparenta estar saudável. O acompanhamento permite avaliar crescimento, peso, altura, desenvolvimento motor e da linguagem, além de aspectos relacionados à visão e à audição. A vacinação também precisa permanecer atualizada. “Cuidar da saúde da criança não significa apenas procurar o médico quando ela está doente, mas acompanhar seu crescimento e desenvolvimento”, explica Camila, destacando que o acompanhamento regular favorece a identificação precoce de possíveis alterações.
A rotina familiar também exerce influência importante nesse processo. Alimentação equilibrada, sono adequado, atividade física e oportunidades para brincar contribuem para o desenvolvimento infantil, enquanto o excesso de telas deve ser evitado. A pediatra recomenda priorizar atividades que estimulem criatividade, interação e movimento. “Brincar também é uma forma de a criança aprender”, afirma. Além dos cuidados físicos, os responsáveis devem observar mudanças persistentes de comportamento, alterações no sono, isolamento, dificuldades de relacionamento ou queda no desempenho escolar, que podem indicar a necessidade de atenção à saúde emocional.
Para Camila Arcanjo, o cuidado integral durante a infância depende da participação da família, da sociedade e do poder público. A especialista ressalta que crianças precisam ter acesso à saúde, educação, alimentação adequada, proteção, convivência familiar e condições seguras para se desenvolver. “Falar sobre infância é falar sobre direitos”, destaca. Nesse contexto, a atenção desde os primeiros anos pode contribuir não apenas para prevenir problemas de saúde, mas também para favorecer o desenvolvimento e estabelecer bases importantes para a vida adulta.