O peso e a forma de carregar a mochila escolar merecem atenção dos responsáveis, principalmente durante a infância, período marcado pelo desenvolvimento do corpo e da postura. Quando transportada com excesso de materiais ou utilizada de maneira inadequada, a mochila pode provocar dores nas costas, ombros e pescoço, além de favorecer alterações posturais e fadiga muscular. Segundo o fisioterapeuta e coordenador do curso de Fisioterapia da Estácio, Diego Pessoa, a carga deve corresponder, em média, a até 10% do peso corporal da criança.
A maneira como o acessório é utilizado também influencia a saúde da coluna. O especialista recomenda que as duas alças sejam colocadas nos ombros e reguladas para manter a mochila próxima ao corpo, evitando que fique muito abaixo da linha da cintura. O uso de apenas uma alça ou de mochilas excessivamente baixas pode provocar desequilíbrio na distribuição da carga e aumentar o esforço da musculatura. Outra medida importante é revisar diariamente os materiais e retirar livros e cadernos que não serão utilizados.
As mochilas com rodinhas podem ser uma alternativa quando a quantidade de material é maior, mas também exigem cuidados. A orientação é manter a postura ereta durante o deslocamento e, sempre que possível, alternar o braço usado para puxar o equipamento, reduzindo a sobrecarga de um único lado do corpo. Também são recomendados modelos com alças acolchoadas e reguláveis. A adoção desses hábitos pode diminuir a carga sobre a coluna e proporcionar mais conforto às crianças durante a rotina escolar.
Diego Pessoa alerta ainda que dores frequentes nas costas, ombros ou pescoço não devem ser consideradas normais na infância. “Criança não deve conviver com dor. Quando as queixas são persistentes ou interferem nas atividades do dia a dia, é importante buscar avaliação profissional para identificar a causa e evitar problemas futuros”, afirma. Dessa forma, observar o peso da mochila, corrigir a maneira de transportá-la e ficar atento a possíveis sintomas são medidas simples que ajudam a preservar a saúde da coluna durante o desenvolvimento.