A Polícia Federal poderá analisar integralmente as provas apreendidas pela Polícia Civil de São Paulo na investigação envolvendo a produtora do filme "Dark Horse". A autorização foi dada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e inclui documentos, dados brutos extraídos dos dispositivos recolhidos e registros da cadeia de custódia dos materiais.
A medida atende a um pedido da própria PF e permite que os investigadores federais tenham contato direto com o material original, sem depender apenas dos relatórios e das análises já produzidos pela polícia paulista.
A partir desse acesso, investigadores avaliam a possibilidade de concentrar no STF as diferentes frentes relacionadas à apuração sobre o financiamento do filme. A eventual mudança, porém, ainda não está decidida e poderia depender de uma iniciativa da PF ou de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Disputa sobre a condução
A solicitação para acessar os dados brutos evidencia a intenção da PF de realizar uma análise própria das provas. Além dos documentos já produzidos pela Polícia Civil, os investigadores querem examinar diretamente os arquivos e informações extraídos dos equipamentos apreendidos.
A movimentação ocorre em meio a questionamentos sobre a condução do caso em São Paulo. O governador Tarcísio de Freitas defendeu publicamente a Polícia Civil e negou que a investigação tenha sido retardada no estado.
Com a autorização de Dino, a apuração passa a envolver de forma mais direta duas estruturas policiais. A PF poderá confrontar seus próprios exames com o trabalho realizado pelos investigadores paulistas.
Reflexos no cenário eleitoral
O caso ganhou relevância política porque envolve uma produção cinematográfica sobre Jair Bolsonaro e ocorre durante o período que antecede as eleições de 2026.
A investigação é uma das diferentes apurações que tramitam ou têm desdobramentos no STF e que alcançam grupos ligados aos principais campos políticos do país.
No caso do "Dark Horse", há uma frente sob relatoria de André Mendonça. O ministro também conduz investigações relacionadas ao Banco Master e apurações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além do caso das fraudes nos descontos do INSS.
A concentração de processos de grande repercussão no Supremo faz com que decisões judiciais e o avanço das investigações sejam acompanhados de perto pelas campanhas e pelos partidos.
No caso específico do "Dark Horse", contudo, a eventual federalização ainda é apenas uma possibilidade avaliada por investigadores. A autorização para acesso às provas não representa, por si só, uma transferência da investigação para a esfera federal.