Presidente da COP30 projeta evento como "oportunidade" para a economia verde

Embaixador André Corrêa do Lago participou da COP Nordeste nesta segunda (15), em Fortaleza, Ceará

O primeiro dia da COP Nordeste, evento realizado de 15 a 19 de setembro em Fortaleza, foi marcado pela palestra magna do presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, que destacou que a conferência do clima representa uma imensa oportunidade para a economia, tecnologias, academia e governos locais brasileiros, ao inserir o país na vanguarda do pensamento econômico e de desenvolvimento contemporâneo. O embaixador enfatizou que o país deve aproveitar essa agenda para beneficiar sua população e, ao mesmo tempo, revelar ao mundo a diversidade e o potencial de seus territórios, como é o caso do Nordeste.

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COP Nordeste: Presidente da COP30 projeta evento como "oportunidade única" para a economia verde regional

“O mais importante é a gente compreender que a COP30 será uma imensa oportunidade para a economia brasileira, para as tecnologias, a academia e os governos locais brasileiros de inserirem o país no que há de mais contemporâneo no pensamento econômico e do desenvolvimento e, com isso, assegurar ao Brasil uma agenda que beneficie a nossa população e revele para o mundo os vários Brasis que são muito pouco conhecidos”, afirmou o presidente da COP, embaixador André Corrêa do Lago.

Participaram da palestra magna do embaixador, Andrea Meza, secretária executiva adjunta do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA); Vilma Freire, secretária do Meio Ambiente do Estado do Ceará, e Glauber Piva, chefe de Gabinete do Consórcio Nordeste. A COP Nordeste integra a 3ª Conferência Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável do Semiárido (ICID 2025).

Contextualização das Conferências

No início de sua apresentação, o embaixador Corrêa do Lago trouxe uma contextualização histórica das Conferências das Partes, desde a Conferência de Estocolmo de 1972, que lançou o conceito de "meio ambiente humano". Ele ressaltou o papel pioneiro do Brasil, que, desde o princípio, defendeu que a questão ambiental não pode ser tratada de forma isolada do desenvolvimento, especialmente para nações em crescimento. Essa visão se consolidou na Rio-92, que transformou o Brasil em uma referência global em conhecimento de seus biomas e um ator-chave na governança climática.

Chegando ao atual momento histórico, o embaixador alertou para os desafios. “A ciência aponta para a perigosa aproximação de pontos de não retorno no aquecimento global, enquanto os fundos internacionais de financiamento se mostram insuficientes para atender à demanda de trilhões de dólares necessária para a transição”, afirmou o embaixador Correa do Lago.

Nesse cenário, ele definiu a COP30 como a "COP da Verdade", um momento para confrontar a realidade científica, econômica e tecnológica e ressaltou que, para o Brasil, a conferência representa uma chance de liderar pelo exemplo, usando sua matriz energética predominantemente renovável e a capacidade de seus biomas de capturar carbono, como a Amazônia, o Cerrado e, de forma particular para a região, a Caatinga, como catalisadores para um novo modelo de desenvolvimento sustentável.

“Eu acho que a gente tem que olhar para a COP 30 como uma oportunidade de futuro para o Brasil. A captura de CO2 dos nossos biomas é muito mais alto do que se imaginava e a captura de carbono é absolutamente essencial para que a gente possa chegar aos objetivos de 2050, que é nós sermos neutros, que o mundo seja neutro em matéria de carbono”, completou.

Três dimensões e uma oportunidade para o Nordeste

O presidente da COP30 enfatizou três dimensões essenciais para o sucesso da conferência. A primeira é o fortalecimento do multilateralismo, um princípio histórico da diplomacia brasileira. Em um mundo onde medidas unilaterais e interesses de países mais poderosos ameaçam o comércio e a cooperação, o multilateralismo se apresenta como a única alternativa para garantir que as vozes de todas as nações sejam ouvidas. Como destacou o embaixador, "a alternativa ao multilateralismo é o unilateralismo dos fortes, que é um retrocesso do ponto de vista histórico, porque a história sempre foi a história dos mais fortes e graças ao multilateralismo isso foi de certa forma moderado e nós não podemos perder essa vitória."

A segunda dimensão, tão importante quanto a primeira, é a necessidade de traduzir as discussões de clima para a economia e para as pessoas. Corrêa do Lago criticou a complexidade das negociações, que muitas vezes se limitam a jargões e terminologias que afastam a população. Para reverter esse quadro, ele defende que a agenda climática seja integrada a todos os níveis de governo e à sociedade.

A terceira dimensão, ligada diretamente à segunda, é o chamado para que a implementação do Acordo de Paris mobilize todas as instituições possíveis. O embaixador rejeitou a ideia de que apenas os ministérios do Meio Ambiente são responsáveis pelas ações climáticas, argumentando que a questão é transversal e envolve a economia, a energia, os transportes e a agricultura.

"A implementação tem que ser de todos e nós temos a sorte, nós temos o Ministério da Fazenda, o Banco Central, vários outros ministérios, estão todos muito conscientes da dimensão de mudança do clima e que estão absolutamente determinados a adaptar a economia a essa circunstância, ou seja, a integrar a discussão de clima na economia de um modo geral."

O embaixador André Corrêa do Lago destacou que a COP30 acentua os interesses do Nordeste e do Consórcio Nordeste em encontrar na agenda climática o que é prioritário para a região. Ele enfatizou que o Nordeste, "campeão" em energias solar e eólica, representa uma oportunidade incrível para impulsionar novas tecnologias e consolidar sua posição na vanguarda da transição energética nacional e parabenizou pela realização da COP Nordeste.

Potencial do Nordeste para liderar a transição ecológica

Em sua explanação, o chefe de gabinete do Consórcio Nordeste, Glauber Piva, trouxe uma perspectiva focada no potencial da região para liderar a agenda climática global. Piva destacou a parceria com a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), fruto da experiência da região nas COPs da Desertificação. Ele revelou a ambição de trazer o evento para Fortaleza, talvez em 2028 ou 2030, reforçando o papel central do bioma Caatinga e de suas "tecnologias sociais" desenvolvidas a partir da experiência local.  Ao final, com uma referência poética ao líder indígena Ailton Krenak, ele resumiu o espírito do evento: "A COP e as COPs são um grande encontro de gente que traz ideias para adiar o fim do mundo."

A secretária do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará, Vilma Freire, complementou a discussão com uma defesa veemente do papel do Nordeste na agenda climática. Representando a postura proativa da região, ela destacou que o objetivo é "construir" e apresentar as soluções locais para o mundo. Vilma Freire ressaltou a informação que a região pode liderar discussões climáticas. Em seu discurso, a secretária destacou: "os estudos recentes mostram que o bioma Caatinga é o bioma mais eficiente na captura de carbono e que esse bioma é exclusivamente brasileiro e que o Nordeste... pode liderar essas discussões."

A secretária da ONU Desertificação, Andrea Meza, reforçou a importância de se recuperar a confiança no multilateralismo, demonstrando que ele pode gerar resultados positivos para os países mais vulneráveis. Meza destacou o papel crucial dos biomas e solos saudáveis, não apenas para a captura de carbono, mas para garantir a segurança hídrica e alimentar. Segundo ela, é impossível atingir as metas climáticas sem um manejo sustentável da terra. A representante da ONU expressou sua admiração pela região, afirmando que o Nordeste é uma fonte de inspiração, pois demonstra que é possível alcançar prosperidade mesmo em um contexto semiárido e complexo. Para Meza, o conhecimento da região para "conviver com a seca" é fundamental e merece ser uma prioridade nas discussões e no financiamento global.

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