O masoquismo eleitoral do Auto da Compadecida

O eleitor conhece o velho roteiro e ainda aposta nos mesmos

Por Redação Portal AZ,

Estamos cansados de ler nas redes sociais que o Piauí é “terra de muro baixo”. Mas será mesmo? O problema talvez esteja menos na altura do muro e mais na memória de quem continua escolhendo os mesmos atores para representar a mesma peça. O piauiense conhece esse teatro a céu aberto. Sabe onde termina a promessa, reconhece o mofo do roteiro e identifica os personagens antes mesmo de eles entrarem em cena. Ainda assim, volta à bilheteria, compra o ingresso e assiste novamente à mesma história — muitas vezes com os mesmos protagonistas.

Foto: Imagem gerada por IA.ok

Talvez João Grilo não conseguisse compreender essa lógica. O político promete mudança, o eleitor reclama da mesmice e, na eleição seguinte, entrega o voto aos mesmos de sempre. Chicó perguntaria: “Mas não era para mudar?”. João Grilo, desconfiado, responderia: “Era. Só mudaram o discurso.” E talvez esteja aí a graça amarga da política: trocar a fala sem trocar o personagem.

No sertão de Suassuna, o absurdo provoca riso porque também faz parte da vida. Na política, o riso muitas vezes serve para suportar aquilo que parece não mudar. O piauiense reclama, ironiza, faz meme, critica os políticos e, quando chega a eleição, muitas vezes devolve a eles a mesma confiança. A esperança, por aqui, parece ter memória curta.

Seria masoquismo eleitoral? João Grilo provavelmente diria que não. Diria que o eleitor sabe muito bem o que está fazendo, mas continua acreditando que, desta vez, o resultado pode ser diferente. Basta ter fé. E é justamente aí que mora a ironia: o Piauí pode mudar os nomes, os palanques e os discursos. O que ainda precisa mudar é a escolha.

E, enquanto isso, Chicó pode continuar perguntando: “E desta vez, vai?”. João Grilo, provavelmente, já sabe a resposta.

Fonte: Portal AZ

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