Um estudo da plataforma MapBiomas Atmosfera revela que o Piauí registrou a maior média de temperatura entre as unidades da federação no período de 1985 a 2024, com 26,9 °C. O levantamento, divulgado pela mídia nesta quarta-feira, também indica que o Brasil como um todo tem média de 24,6 °C, ou seja, os piauienses vivem em média 2,3 °C mais quentes que a população nacional.
O segundo colocado no ranking é o Rio Grande do Norte, com média de 26,8 °C, enquanto o Santa Catarina aparece com o menor valor, reflexo de altitudes mais elevadas e clima temperado. Os pesquisadores destacam que o dado aponta para uma “marca geográfica” do Piauí, que atravessa décadas sob temperaturas mais elevadas, mas também para um alerta sobre os efeitos das mudanças climáticas e o impacto humano que pode agravar a realidade térmica da região.
Especialistas ambientais ressaltam que a condição térmica elevada no Piauí exerce pressão sobre recursos hídricos, produtividade agrícola e saúde pública. Em zonas semiáridas do estado, onde o sol predomina e as chuvas são escassas e irregulares, a combinação de calor persistente e escassez hídrica representa um desafio para comunidades rurais e urbanas. A pesquisa mostra que as médias altas não são apenas fator climático local, mas expressão de uma tendência global que exige adaptação.
Diante deste cenário, gestores públicos e sociedade civil são chamados a reforçar estratégias adaptativas e de mitigação: sistemas de hidratação comunitária, planejamento urbano com sombreamento e infraestrutura térmica, além de políticas de uso da terra e agricultura resiliente.