Vias ilegais avançam sobre unidades de conservação na Amazônia na BR-319

Mais de 2.240 km de ramais clandestinos cruzam áreas protegidas, ligados a desmatamento e mineração


Um levantamento recente revela que ramais ilegais se expandiram na Amazônia ao longo da rodovia BR-319, invadindo unidades de conservação e terras indígenas, o que favorece desmatamento e atividades ilegais. 

Foto: Orlando K Junior/Divulgação


Dados do Observatório BR-319 mostram que pelo menos 2.240 km de estradas clandestinas avançaram sobre unidades federais de conservação no entorno da BR-319. Outros 1.297 km dessas vias atravessam territórios indígenas. 

De acordo com o estudo “Abertura de Ramais e Estradas Clandestinas como Vetores de Desmatamento no Interflúvio Madeira-Purus”, essa malha ilegal está associada diretamente a processos de grilagem, mineração e desmatamento acelerado.

O geógrafo Heitor Pinheiro, pesquisador do Observatório, alerta que essas rotas clandestinas funcionam como verdadeiros corredores de penetração na mata, facilitando a entrada de tratores e máquinas pesadas em regiões antes isoladas — especialmente nas proximidades do entroncamento da BR-319 com a BR-230, em Humaitá (AM). 

Para o consultor ambiental Thiago Castelano, morador indígena de Humaitá, o avanço dessas estradas representa uma “ameaça concreta” para os povos tradicionais da Amazônia. Segundo ele, a presença de maquinário pesado como tratores evidencia que essas vias clandestinas são usadas para extração de madeira, garimpo e desmatamento. 

Ainda conforme o estudo, cerca de 4.130 km dos ramais mapeados coincidem com áreas em análise para exploração mineral. O Observatório destaca que essa sobreposição evidencia a falta de fiscalização efetiva. 

Frente ao cenário alarmante, o Ministério dos Transportes afirma que está construindo uma governança integrada, em parceria com órgãos como Ibama, Funai e Incra, para monitorar e controlar o crescimento dessas rotas ilegais. (Agência Brasil) Por sua vez, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) diz usar monitoramento remoto desde 2015 para detectar desmatamento e invasões nas terras indígenas, mas admite que ainda enfrenta desafios para identificar a origem exata das ramificações ilegais. 

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