A COP30, realizada em Belém, corre o risco de finalizar sem grandes anúncios institucionais ambiciosos. Segundo reportagem da VEJA, a organização da conferência aposta em um “trabalho de formiguinha”, marcado pela implementação gradual de ações por empresas, governos locais e sociedade civil, em vez de novos compromissos firmados entre países.
O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, afirma que os grandes compromissos já foram assumidos em edições anteriores, como em Baku, e que agora é a vez de colocar em prática essas promessas por meio de uma Agenda de Ação voluntária. A agenda abrange temas como transição energética, adaptação, agricultura sustentável, financiamento climático e cooperação tecnológica.
Especialistas acolhem a estratégia, mas alertam para o risco de a COP não deixar um legado simbólico forte. O físico Paulo Artaxo observa que a proposta funciona de forma prática, sem exigir consenso formal entre as 196 partes da UNFCCC, mas pode ser criticada pela falta de “marcos políticos” definidores. Já Miriam Garcia, do World Resources Institute (WRI), elogia a participação de setores privados e subnacionais, mas ressalta que depender apenas de compromissos voluntários pode não ser suficiente para enfrentar a urgência da crise climática.
A “Decisão do Mutirão” — documento central para os negociadores — está em discussão entre os diplomatas. Se aprovada, pode incluir medidas diplomáticas, textos normativos ou apenas recomendações. O desafio, segundo integrantes da presidência brasileira da COP, é distinguir claramente o que precisa continuar sendo negociado em nível global e o que já pode ser implementado de imediato sem requerer consenso entre todos os países.
Ainda não está claro se a COP30 será lembrada como um marco diplomático ou como um evento marcado por avanços práticos facilitados por uma abordagem mais pragmática, sem as grandes promessas que têm sido marca das cúpulas climáticas.