Aquecimento global ameaça reduzir drasticamente área do caju no Nordeste

Projeções apontam impacto até 2070 em produção que sustenta renda e identidade regional

Estudos climáticos indicam que o Nordeste brasileiro pode perder mais da metade das áreas adequadas ao cultivo de caju até 2070 devido ao aquecimento global, o que ameaça uma das principais cadeias produtivas e símbolos culturais do semiárido.

Foto: Reprodução
Aquecimento global ameaça reduzir drasticamente área do caju no Nordeste

O caju, além de fruto de forte tradição cultural no Nordeste, é um importante componente econômico em regiões do semiárido, onde a cadeia produtiva pode representar até 40% da renda mensal de famílias rurais. No entanto, projeções baseadas em modelos climáticos sugerem que a continuidade do aquecimento global comprometerá significativamente as condições ambientais necessárias para o cultivo da espécie.

Segundo as simulações, a alteração nos padrões de temperatura e precipitação pode reduzir drasticamente a disponibilidade de áreas com condições agroclimáticas favoráveis ao caju. A perda antecipada é estimada em mais de 50% até o ano de 2070, um cenário que preocupa produtores, pesquisadores e formuladores de políticas públicas.

O Nordeste, historicamente adaptado a condições de semiárido, tem no caju uma cultura resiliente, mas também sensível a extremos climáticos. A expansão da agricultura irrigada, práticas de manejo mais eficientes e o desenvolvimento de variedades mais tolerantes ao calor e à seca são algumas das estratégias apontadas por especialistas como possíveis mitigadores dos efeitos adversos.

Estudos climáticos recentes reforçam que a intensificação das medidas de mitigação do aquecimento global é crucial para reduzir os impactos sobre sistemas agrícolas vulneráveis. Sem ações eficazes, mudanças no uso da terra, perda de biodiversidade e declínio da produção agrícola tradicional como a do caju podem agravar as desigualdades socioeconômicas em áreas rurais.

A possível redução das áreas apropriadas para o cultivo tem implicações amplas: não apenas para a economia local e para a segurança alimentar, mas também para a manutenção de práticas culturais e modos de vida que se desenvolveram ao longo de gerações no sertão nordestino.

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