Áreas úmidas do Cerrado podem armazenar mais carbono que florestas amazônicas

Estudo revela importância ambiental das veredas e alerta para riscos ao bioma

Uma pesquisa científica revelou que áreas úmidas do Cerrado podem armazenar mais carbono do que florestas da Amazônia. De acordo com o estudo, campos úmidos e veredas são capazes de reter até 1.200 toneladas de carbono por hectare, volume que pode representar cerca de seis vezes o estoque encontrado em florestas amazônicas típicas.

Foto: André Dib
Veredas, turfeiras que inspiraram João Guimarães Rosa, são essenciais para a biodiversidade do sertão

O levantamento foi conduzido por pesquisadores do Universidade Estadual de Campinas e publicado na revista científica New Phytologist. Os dados indicam que o carbono presente nesses solos pode ter sido acumulado ao longo de até 20 mil anos, resultado de um processo natural favorecido pelas condições de solo alagado e com baixa presença de oxigênio.

Foto: Paulo Bernardino
O Cerrado se destaca como o segundo maior bioma da América do Sul

Essas áreas exercem papel essencial na manutenção dos recursos hídricos. O Cerrado é conhecido como “berço das águas” por contribuir com grande parte do abastecimento de importantes bacias hidrográficas do país. No entanto, os pesquisadores alertam que esses ecossistemas permanecem pouco estudados e podem ocupar uma área de até 167 mil quilômetros quadrados, o que corresponde a cerca de 8% do bioma.

O estudo também chama atenção para as ameaças ambientais que colocam essas áreas em risco, como a expansão agrícola, o desmatamento e o uso intensivo de recursos hídricos. Segundo os cientistas, alterações no nível do lençol freático podem transformar esses solos em emissores de carbono, reforçando a necessidade de políticas de conservação e maior atenção à proteção desses ambientes estratégicos para o clima e a biodiversidade. 

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