Teresina tem 2ª menor média de chuva em março em uma década

Com cerca de 200 mm acumulados, capital segue tendência de queda iniciada em 2025 e acende alerta sobre abastecimento

Março, historicamente o mês mais chuvoso em Teresina, registrou em 2026 a segunda menor média de precipitação dos últimos dez anos, com cerca de 200 milímetros acumulados, segundo dados da Defesa Civil do Piauí.

Foto: Divulgação/ Governo do Piauí
Volume de chuvas abaixo da média acende alerta em Teresina

O volume representa uma redução significativa em relação ao padrão histórico da capital, onde os índices de chuva em março costumam ultrapassar os 300 milímetros. A queda reforça uma tendência iniciada em 2025, quando foi registrado o pior desempenho pluviométrico da década.

De acordo com o climatologista Werton Costa, diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil estadual, o cenário atual é considerado preocupante. No ano passado, a média ficou em torno de 100 milímetros — patamar de seca intensa — e, neste ano, o acumulado não atingiu sequer os 200 milímetros.

A principal explicação para a baixa incidência de chuvas está no comportamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema responsável por grande parte das precipitações no Nordeste. O fenômeno depende, sobretudo, da temperatura da superfície do mar para se posicionar de forma adequada sobre a região.

Em 2026, a ZCIT se aproximou poucas vezes do Norte do Piauí, limitando a formação de chuvas regulares em Teresina e municípios vizinhos. Como consequência, a maior parte das precipitações registradas no estado teve origem em frentes frias vindas do Sul, o que também contribuiu para episódios pontuais de inundação nessa região.

O comportamento irregular desses sistemas fez com que as chuvas se concentrassem no Sul do estado, enquanto o Norte enfrentou volumes abaixo da média. Além da capital, cidades como Piripiri e Esperantina também registraram índices inferiores ao esperado para o período.

Segundo o especialista, a ausência de um posicionamento estável da ZCIT impede a formação de períodos prolongados de chuva, agravando o cenário de baixa pluviometria e elevando os riscos para o abastecimento hídrico.

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