O Piauí registrou a maior redução do desmatamento no Cerrado brasileiro em 2026. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que a área devastada no estado caiu 66,5% no primeiro quadrimestre do ano, resultado atribuído ao uso de monitoramento em tempo real e ações rápidas de fiscalização ambiental.
Segundo o levantamento, o desmatamento no estado passou de 508,68 km² para 170,17 km² entre janeiro e abril deste ano. Na prática, mais de 33,8 mil hectares deixaram de ser destruídos no bioma. O desempenho foi o melhor entre os 11 estados e o Distrito Federal que integram o Cerrado brasileiro.
O resultado do Piauí também contribuiu para a redução nacional de 4,14% no desmatamento do bioma no mesmo período, consolidando o estado como uma referência em monitoramento ambiental e combate aos crimes ambientais.
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), a redução é resultado de uma estratégia baseada em tecnologia, inteligência de dados e fiscalização contínua. O trabalho é realizado em parceria com o Centro de Geotecnologia Fundiária e Ambiental (CGEO).
O modelo utiliza imagens de satélite atualizadas diariamente, cruzamento de informações geoespaciais e sistemas de alerta para identificar áreas críticas e direcionar equipes de fiscalização com mais rapidez.
Segundo o secretário estadual do Meio Ambiente, Feliphe Araújo, o avanço mostra que é possível unir preservação ambiental e desenvolvimento econômico com planejamento e atuação integrada. Ele destacou que o investimento em tecnologia permitiu ampliar a capacidade de resposta da fiscalização quase em tempo real.
O técnico Marco Aurélio, do CGEO, afirmou que o sistema também trabalha com denúncias e análises de processos de licenciamento ambiental para detectar possíveis irregularidades e acelerar as ações em campo.
Especialistas apontam que o modelo adotado pelo Piauí pode servir de referência para outros estados do Cerrado diante da pressão crescente sobre o bioma. Além da redução dos índices de devastação, a estratégia fortalece a preservação da biodiversidade e as políticas públicas de fiscalização ambiental.