“Não vou me envolver”: indicado de Trump fala sobre eleição no Brasil
Daniel Perez afirma que trabalhará com vencedor e prioriza interesses econômicos dos EUA
O republicano Daniel Perez, indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para assumir a embaixada americana no Brasil, afirmou que não pretende interferir nas eleições brasileiras de outubro. Em entrevista a uma emissora de Miami, ele disse que a escolha do próximo presidente cabe aos brasileiros e que trabalhará com quem vencer a disputa.
“Não haverá nenhum envolvimento” nas eleições, declarou Perez à WPLG Local 10. Segundo ele, o processo eleitoral brasileiro deve ser conduzido pelos próprios brasileiros e o resultado definirá o interlocutor do governo americano em Brasília.
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Perez teve sua indicação aprovada pelo Senado dos Estados Unidos, mas ainda depende do aval do governo brasileiro para assumir o posto. O chamado agrément, documento pelo qual o país recebe formalmente o nome indicado para uma missão diplomática, ainda não foi concedido pelo Brasil.
Ao falar sobre suas prioridades caso assuma a embaixada, Perez afirmou que a segurança e a proteção dos cidadãos americanos no Brasil estarão em primeiro lugar. Em seguida, citou a diplomacia e a necessidade de reduzir as tensões entre os dois países.
O republicano classificou o Brasil como um importante parceiro comercial dos Estados Unidos e afirmou que pretende trabalhar para reconstruir as relações entre os dois governos.
Tarifas e interesses americanos
Questionado sobre as tarifas impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros e sobre a recente conversa entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Perez afirmou que defenderá os interesses econômicos dos Estados Unidos durante as negociações.
Segundo o indicado, sua missão será buscar condições que coloquem os Estados Unidos em uma posição econômica melhor. Ao mesmo tempo, afirmou acreditar que existe espaço para acordos que beneficiem os dois países.
Perez citou as tarifas aplicadas a determinados produtos como exemplo da necessidade de discutir reciprocidade comercial entre Brasil e Estados Unidos. Ele também afirmou não ter informações sobre os detalhes da conversa entre Trump e Lula, mas disse acreditar que os dois presidentes buscam um entendimento favorável a seus respectivos países.
Indicação ainda depende do Brasil
Embora já tenha sido aprovado pelo Senado americano, Perez não poderá assumir a embaixada em Brasília sem a anuência do governo brasileiro. O processo está relacionado ao agrément, procedimento diplomático pelo qual o país que receberá o representante aceita formalmente sua indicação.
O governo brasileiro ainda analisa o pedido. O presidente Lula afirmou anteriormente que não pretende receber um novo embaixador americano antes das eleições.
A demora na concessão do aval ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. O governo Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Uma autoridade do Departamento de Estado americano classificou a medida como uma ação recíproca diante da demora brasileira em conceder o agrément a Perez.
Os Estados Unidos afirmaram que o visto da diplomata brasileira será restabelecido caso o governo brasileiro conceda a anuência ao indicado de Trump.
O Palácio do Planalto, por sua vez, sustentou que o processo de agrément é confidencial e que o nome indicado deveria ser divulgado apenas depois da manifestação brasileira. O governo também afirmou que não existe prazo estabelecido pela Convenção de Viena para a concessão do aval e que o pedido americano continua em análise.
Fonte: CNN Brasil