Trump defende Bolsonaro, anuncia tarifa de 50% e adia diálogo com Lula

Tarifa torna Brasil o país mais afetado entre 22 nações e entra em vigor em agosto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (11/7) que pretende conversar “em algum momento” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as tarifas de 50% impostas ao Brasil, mas que “não agora”. Na mesma declaração, Trump saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a quem chamou de “homem muito honesto” e “bom negociador”.
 

Foto: Scott Olson/Getty Images
Donald Trump

“Talvez em algum momento eu fale com ele [Lula]. Agora, eu não vou. Eles estão tratando o presidente Bolsonaro de forma muito injusta. Ele [Bolsonaro] é um bom homem. Eu o conheço bem. Eu negociei com ele. Ele era um negociador muito difícil e, posso dizer que ele era um homem muito honesto. E ele amava o povo do Brasil. Eu não deveria gostar dele, porque ele era muito duro em negociação, mas ele também foi muito honesto e eu conheço os honestos e conheço os corruptos”, afirmou Trump à repórter brasileira Raquel Krähenbühl, da TV Globo, em Washington.

A tarifa de 50% foi anunciada por Trump na última quarta-feira (9/7) por meio de carta enviada ao presidente Lula, passando a valer a partir de 1º de agosto. Com isso, o Brasil passa a ter a taxa mais alta entre 22 países listados pelos EUA, à frente de Laos e Myanmar (40%) e Filipinas (20%). A medida será cobrada separadamente das tarifas setoriais já existentes, como as de 50% sobre aço e alumínio, além de novas taxas de 50% sobre o cobre, anunciadas na quinta-feira (10/7).

Em abril deste ano, produtos brasileiros já haviam sido atingidos por outro tarifaço de Trump, com acréscimo de 10%. Agora, o presidente norte-americano justifica que o Brasil “não está sendo bom” para os EUA e aponta um suposto déficit comercial, que, segundo dados oficiais, não existe.

A Casa Branca tem mirado especialmente países do Brics e chegou a ameaçar tarifas de até 100% contra membros do bloco que, segundo Trump, não atenderem aos “interesses comerciais dos EUA”.

Entre as taxas recém-anunciadas para os 22 países, o Brasil ficou com a mais alta (50%), seguido por Laos e Myanmar (40%), Camboja e Tailândia (36%), Bangladesh e Sérvia (35%), Indonésia (32%) e um grupo com taxa de 30%, incluindo África do Sul, Argélia, Bósnia e Herzegovina, Iraque, Líbia e Sri Lanka. Outros países, como Brunei, Cazaquistão, Coreia do Sul, Japão, Malásia, Moldávia e Tunísia, terão tarifa de 25%, e as Filipinas, a menor, de 20%.

O governo Lula avalia que a medida de Trump pode ser uma estratégia de pressão e estuda resposta baseada na Lei da Reciprocidade. Paralelamente, Lula tem reforçado, inclusive em atos públicos, a defesa da indústria nacional e usou recentemente um boné com a frase “Brasil é dos Brasileiros” como forma de sinalizar resistência.

Apesar de afirmar que poderá conversar com Lula no futuro, Trump destacou que o momento não é adequado, já que, segundo ele, Bolsonaro está sendo tratado de forma injusta no Brasil.

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