Após Venezuela, Trump ameaça Groenlândia e Colômbia

Declarações ocorrem após ação militar na Venezuela e provocam reação de líderes europeus e latino-americanos

Um dia após uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, o presidente Donald Trump elevou o tom da política externa ao afirmar que pretende anexar a Groenlândia, território ligado à Dinamarca, e ao sugerir uma possível ação armada contra a Colômbia, governada por Gustavo Petro.

Foto: REUTERS/Kevin Lamarque
Trump ameaça Groenlândia e Colômbia

As novas declarações de Trump geraram reações imediatas na Europa e na América Latina. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que não existe qualquer base legal ou política para que os Estados Unidos reivindiquem a Groenlândia, ressaltando que o território integra o Reino da Dinamarca e está protegido pelas garantias coletivas da Otan.

Segundo Frederiksen, Washington já mantém acordos de defesa que permitem presença militar norte-americana na região ártica, o que tornaria infundadas as alegações de necessidade estratégica usadas por Trump. A líder dinamarquesa classificou as ameaças como inaceitáveis e pediu o fim da escalada verbal contra aliados históricos.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também reagiu publicamente. Em mensagem nas redes sociais, afirmou que o território não é “objeto de retórica de superpotência” e classificou como desrespeitosa a associação entre a ilha e intervenções militares recentes promovidas pelos Estados Unidos.

Em entrevista concedida à revista The Atlantic, Trump justificou o interesse pela Groenlândia alegando razões de segurança nacional. Segundo ele, a presença de embarcações russas e chinesas na região representaria uma ameaça estratégica. As declarações reforçam uma posição defendida pelo presidente desde o início de seu atual mandato, em janeiro de 2025.

Outros líderes europeus também se manifestaram. Chefes de governo da Finlândia, Noruega e Suécia rejeitaram qualquer possibilidade de anexação, enquanto o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca têm legitimidade para decidir o futuro do território.

Além da tensão com a Europa, Trump voltou suas críticas à América do Sul. Ao comentar a situação da Colômbia, o presidente norte-americano afirmou que uma ação militar contra o governo de Gustavo Petro “parece uma boa ideia”, acusando o país de conivência com o narcotráfico.

O presidente colombiano rebateu as acusações e negou qualquer envolvimento com atividades ilegais. Petro afirmou que não aceitará intimidações externas e declarou confiar na mobilização popular para defender a soberania do país diante de qualquer tentativa de intervenção estrangeira.

As declarações aprofundam o clima de instabilidade diplomática envolvendo os Estados Unidos e ampliam as preocupações internacionais sobre os rumos da política externa norte-americana sob a atual gestão.

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