O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz nesta quarta-feira (8) e ameaçou romper o cessar-fogo firmado na guerra com os Estados Unidos e Israel. A medida ocorre após novos ataques israelenses ao Líbano, ampliando o risco de escalada no conflito regional.
Segundo agências estatais iranianas, o bloqueio da principal rota marítima de petróleo do mundo foi motivado por supostas violações da trégua por parte de Israel, que teria intensificado bombardeios contra alvos ligados ao Hezbollah em território libanês.
O endurecimento da posição de Teerã ocorre após o maior ataque israelense ao Líbano desde o início da guerra. As Forças Armadas israelenses afirmaram ter atingido mais de 100 instalações e centros de comando do Hezbollah, incluindo estruturas localizadas em áreas civis. O governo libanês, por sua vez, acusou Israel de atingir regiões densamente povoadas, deixando centenas de mortos e feridos.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o cessar-fogo não se aplica ao Líbano — posição que contraria a mediação conduzida pelo Paquistão, que previa a suspensão dos ataques em todas as frentes do conflito.
Em paralelo, países do Golfo relataram ataques iranianos com mísseis e drones após a entrada em vigor da trégua. Catar, Kuwait e Arábia Saudita afirmaram ter sido alvo de ofensivas, com registros de danos materiais e interceptações de artefatos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o Líbano não integra o acordo de cessar-fogo, atribuindo a exclusão à atuação do Hezbollah. Já o premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, pediu que todas as partes respeitem a trégua para evitar o agravamento da crise.
O fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo global — volta a pressionar mercados internacionais e amplia os impactos econômicos da guerra. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se reunir nos próximos dias, em Islamabad, para tentar avançar em negociações de paz.