O Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz neste sábado (18), segundo informou um porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia à agência estatal iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do país. De acordo com o militar, a passagem estratégica está sob vigilância rigorosa das Forças Armadas iranianas.
O novo fechamento reverte em questão de horas o alívio anunciado na véspera. Na sexta-feira (17), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia declarado a passagem "completamente aberta pelo período restante do cessar-fogo", vigente até quarta-feira (22), o que havia derrubado o preço do petróleo em mais de 10% e empurrado o dólar ao menor patamar em dois anos no Brasil. Na mesma sexta, porém, o governo iraniano já havia alertado que poderia fechar novamente o estreito caso Washington mantivesse o bloqueio naval iniciado em 13 de abril.
O impasse entre as partes permanece sem solução. Os Estados Unidos mantiveram seu bloqueio naval na saída do estreito, nas águas do Golfo de Omã e do Mar Arábico, e o presidente Donald Trump afirmou que suas tropas só seriam retiradas após as negociações com o Irã estarem "100% concluídas". A reabertura do Estreito de Ormuz é uma das principais exigências dos EUA nas negociações mediadas pelo Paquistão, e uma nova rodada de tratativas poderia ocorrer neste fim de semana.
O Estreito de Ormuz é o ponto mais sensível do abastecimento global de energia. Cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo normalmente passam por suas rotas marítimas, envolvendo exportações do Irã, Iraque, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.