O Irã endureceu o discurso contra os Estados Unidos e Israel nesta segunda-feira (1º) ao afirmar que qualquer avanço nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio dependerá da implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. A posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, em meio à intensificação dos ataques israelenses contra alvos ligados ao Hezbollah em Beirute.
Durante entrevista coletiva, Baghaei acusou Washington de descumprir os termos do cessar-fogo firmado com Teerã e afirmou que as ações americanas ampliam a desconfiança entre os dois países. Segundo ele, o governo iraniano considera indispensável o fim das operações militares israelenses em território libanês para que qualquer entendimento avance.
O porta-voz também declarou que o Irã está disposto a adotar todas as medidas que considerar necessárias para proteger sua segurança nacional diante do que classificou como violações contínuas dos acordos em vigor.
As críticas foram reforçadas pelo presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que atribuiu aos Estados Unidos responsabilidade pelo agravamento da crise. Em publicação nas redes sociais, o parlamentar afirmou que o bloqueio naval imposto por Washington e o apoio às ações israelenses demonstram descumprimento do cessar-fogo.
De acordo com a agência iraniana Tasnim, a equipe de negociação de Teerã interrompeu temporariamente as trocas de mensagens com representantes americanos por meio de mediadores internacionais após a nova ofensiva israelense no Líbano.
Apesar das tensões, o governo iraniano indicou que o programa nuclear do país não integra, neste momento, as negociações em andamento com os Estados Unidos. Segundo Baghaei, a prioridade atual das conversas é buscar uma solução para encerrar o conflito regional.
A escalada diplomática ocorre após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciarem novos ataques contra posições consideradas estratégicas do Hezbollah nos arredores de Beirute. O governo israelense justificou a operação alegando repetidas violações do cessar-fogo por parte do grupo apoiado pelo Irã.
Em comunicado conjunto, as autoridades israelenses afirmaram que as ações militares têm como objetivo neutralizar ameaças à população do norte de Israel e ampliar o controle de segurança sobre áreas do sul do Líbano. A nova ofensiva aumenta a pressão sobre as negociações diplomáticas e amplia as incertezas sobre a estabilidade da região.