Os Houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã, anunciaram nesta segunda-feira (20) um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ampliando a tensão no Oriente Médio. A medida aumenta o risco de interrupção no transporte internacional de petróleo e ocorre em meio à intensificação do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e seus aliados.
Em comunicado, as forças Houthis informaram que o bloqueio entra em vigor imediatamente e o classificaram como uma resposta ao que chamam de "cerco injusto" imposto pela Arábia Saudita ao Iêmen. O grupo afirmou que a decisão segue a lógica de "olho por olho".
Antes do anúncio, o Irã já havia pressionado os Houthis a fechar o Estreito de Bab el-Mandeb caso os Estados Unidos mantivessem os ataques contra a infraestrutura energética iraniana. A passagem marítima liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é considerada uma das principais rotas para o transporte de petróleo e mercadorias no mundo.
Caso o estreito seja totalmente bloqueado, analistas estimam que cerca de 7% da oferta global de petróleo poderá ser afetada, comprometendo principalmente as exportações sauditas. A interrupção se somaria às perdas já provocadas pelo conflito no Golfo, que reduziu em aproximadamente 10% os embarques mundiais da commodity.
Até a publicação desta reportagem, o governo da Arábia Saudita não havia se manifestado sobre o anúncio dos Houthis.
A escalada militar ocorre paralelamente a uma nova tentativa de retomada das negociações diplomáticas. Segundo uma autoridade iraniana ouvida pela Reuters, mediadores apresentaram a Teerã uma proposta de cessar-fogo de dez dias, com o objetivo de preservar o acordo provisório firmado no mês passado e abrir espaço para um entendimento permanente.
Também nesta segunda-feira, fontes do governo do Paquistão informaram que o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, solicitou que Islamabad volte a atuar como mediador entre Teerã e Washington.
A instabilidade voltou a pressionar o mercado internacional. Os preços do petróleo chegaram a superar US$ 90 por barril após novas interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz, mas reduziram parte dos ganhos diante dos sinais de que os canais diplomáticos entre Irã e Estados Unidos permanecem abertos.