O Hamas confirmou nesta sexta-feira (31) que aceitou um acordo para o desarmamento de suas forças na Faixa de Gaza, condicionado à retirada das tropas israelenses do território. O entendimento foi anunciado na véspera pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas ainda não recebeu confirmação oficial do governo de Israel.
A informação foi confirmada por Ghazi Hamad, integrante da equipe de negociação do Hamas, além de duas fontes da cúpula do grupo ouvidas pela agência AFP sob condição de anonimato. Segundo os negociadores, o movimento aceitou abrir mão de seu arsenal como parte das etapas previstas para encerrar o conflito.
De acordo com Hamad, a implementação do acordo dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por Israel, especialmente a retirada das forças militares da Faixa de Gaza. O representante afirmou ainda que a fiscalização da entrega das armas ficará sob responsabilidade do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão que deverá assumir a gestão civil do território.
O anúncio ocorre um dia após Donald Trump afirmar, por meio da rede Truth Social, que havia sido alcançado um "acordo histórico" para o desarmamento do Hamas. O Conselho da Paz, estrutura criada pelos Estados Unidos para atuar na reconstrução e estabilização de Gaza, também informou que o grupo aceitou um roteiro para implementar as próximas fases do cessar-fogo.
Segundo Trump, o plano prevê que, após o desarmamento do Hamas, as tropas israelenses deixem gradualmente o território, enquanto uma Força Internacional de Estabilização e uma nova polícia palestina assumam a segurança local.
As negociações para consolidar a segunda fase do cessar-fogo vinham sendo conduzidas há semanas com mediação internacional no Egito. O desarmamento do Hamas era considerado um dos principais impasses para um acordo definitivo que encerrasse a guerra iniciada após os ataques de outubro.
Apesar do anúncio, Israel ainda não confirmou oficialmente sua adesão ao entendimento. De acordo com uma fonte política israelense ouvida pela AFP, a proposta ainda não atende plenamente às exigências do governo de Benjamin Netanyahu para a desmilitarização completa da Faixa de Gaza.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que a implementação integral do acordo pode representar um avanço para a paz na região, mas ressaltou que o sucesso dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por todas as partes envolvidas.