O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o uso do poderio militar americano na América Latina durante discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York. Ao citar ações recentes na Venezuela e o combate ao tráfico de drogas, Trump afirmou que os EUA poderão recorrer à força para proteger seus interesses no Hemisfério Ocidental.
Trump afirmou que as ações americanas na Venezuela demonstrariam que Washington não permitirá o avanço de ameaças na região. Segundo ele, os Estados Unidos estão dispostos a utilizar sua capacidade militar para garantir o que considera interesses nacionais vitais.
O presidente americano também apresentou a atuação contra grupos ligados ao tráfico de drogas como parte dessa estratégia. Durante o discurso, comparou os cartéis latino-americanos ao Estado Islâmico (ISIS) e afirmou que as Forças Armadas dos EUA foram acionadas para combatê-los.
Venezuela é usada como exemplo
Trump voltou a destacar a operação americana contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro como demonstração da política de seu governo para a região.
Ele também mencionou um acordo envolvendo a exploração de petróleo venezuelano e classificou a operação como uma conquista para os Estados Unidos.
A fala ocorre em um contexto de aumento da atuação militar americana no combate ao narcotráfico no Hemisfério Ocidental. Segundo a Reuters, Trump apresentou a estratégia como uma tentativa de ampliar a presença e a influência dos Estados Unidos na região.
México entra no discurso de Trump
O presidente americano também direcionou críticas ao México. Embora tenha afirmado manter boas relações com o governo de Claudia Sheinbaum, disse ser inaceitável que os Estados Unidos façam fronteira com um país que, segundo ele, concentra a violência provocada pelos cartéis.
Trump defendeu que o governo mexicano retome o controle de áreas sob influência de organizações criminosas.
A posição contrasta com a defesa de Sheinbaum de que o combate aos cartéis não deve ser utilizado como justificativa para interferência externa nos assuntos mexicanos.
Cuba também é alvo de pressão
Cuba foi outro país latino-americano citado por Trump. O presidente americano classificou a ilha como um Estado fracassado e afirmou que a população cubana teria liberdade no futuro. Durante o discurso, a delegação de Cuba deixou o plenário em protesto.
A pressão sobre o governo cubano ocorre paralelamente à intensificação da política americana sobre a região. Trump já havia indicado anteriormente que Cuba poderia entrar no foco de sua política externa em meio à operação contra a Venezuela.
Lula critica interferência externa
O discurso de Trump ocorreu logo após a fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defendeu a soberania dos países latino-americanos e criticou interferências externas na região.
Lula afirmou que a proximidade da América Latina com os Estados Unidos impõe desafios e citou interferências em processos eleitorais e disputas por zonas de influência.
A posição brasileira também incluiu a defesa de cooperação internacional contra o crime organizado, mas sem a presença de forças estrangeiras em território brasileiro.
O contraste entre os discursos expôs duas abordagens distintas para a segurança regional: enquanto Trump defendeu o uso do poderio americano para enfrentar ameaças no Hemisfério Ocidental, Lula sustentou a cooperação entre países sem intervenção militar estrangeira.