O pastor Márcio Poncio está entre os alvos presos na quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (3), no Rio de Janeiro. A ação investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e o vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais que, segundo as investigações, beneficiariam integrantes do Comando Vermelho.
A ofensiva foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpriu três mandados de prisão e 14 de busca e apreensão nas cidades do Rio de Janeiro e São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de bens e valores que somam cerca de R$ 22 milhões.
Entre os investigados também estão o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já está preso, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral.
De acordo com a Polícia Federal, esta etapa da operação busca aprofundar as investigações sobre uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis conexões do esquema com integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do estado do Rio de Janeiro.
As apurações tiveram avanço após a apreensão de documentos que indicariam repasses financeiros, doações eleitorais e registros contábeis relacionados à ocultação de recursos. Segundo os investigadores, o material aponta possíveis pagamentos a agentes públicos e políticos fluminenses.
Agora, a Polícia Federal concentra os trabalhos na análise do material apreendido, rastreamento da movimentação financeira e identificação de beneficiários, intermediários e operadores do suposto esquema.
As defesas dos investigados negam irregularidades. Em nota, a defesa de Adilsinho afirmou que o empresário não realizou pagamentos indevidos a políticos ou agentes públicos. Já a advogada de Marco Antônio Cabral declarou que seu cliente nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou recebimento de recursos de origem ilícita. A defesa de Rodrigo Bacellar informou que não irá se manifestar neste momento.