Haddad diz que deixará o Ministério da Fazenda em fevereiro

Ministro afirma que saída e sucessão dependem de decisão do presidente Lula

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta quinta-feira (29) que deve deixar o governo federal em fevereiro. Segundo ele, a definição da data exata de sua saída e a escolha de quem assumirá o comando da pasta cabem exclusivamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Foto: Diogo Zacarias/MF
Fernando Haddad

Em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad disse que o presidente já foi informado sobre sua intenção de deixar o cargo, mas destacou que não houve acerto sobre um dia específico. “No mês de fevereiro, com certeza, [vou] deixar o governo. A mesma coisa vale para quem vai ficar no meu lugar. Isso é papel do presidente anunciar”, afirmou.

Durante a conversa, o ministro elogiou o atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, apontado como um dos nomes cotados para assumir a pasta. Haddad ressaltou a formação técnica e a experiência do auxiliar, mas reforçou que a decisão final é do presidente e que outros nomes também podem ser considerados, inclusive dentro do PT.

Haddad também voltou a dizer que não pretende disputar as próximas eleições e que seu foco é contribuir com a campanha pela reeleição de Lula. Apesar disso, integrantes do governo e do partido defendem a possibilidade de o ministro concorrer a cargos eletivos em São Paulo, como o governo do estado ou uma vaga no Senado.

Ao fazer um balanço de sua gestão, Haddad destacou medidas adotadas para reduzir o déficit fiscal, como cortes em benefícios tributários e esforços para limitar despesas. Ele afirmou que a equipe econômica enfrentou uma situação fiscal difícil ao assumir o governo e citou como avanço a aprovação da reforma tributária, em 2023, após décadas de discussão no Congresso.

O ministro minimizou críticas relacionadas ao crescimento da dívida pública federal, que fechou 2025 em R$ 8,635 trilhões, com alta de 1,82% em dezembro. Para Haddad, a redução da taxa básica de juros é fundamental para estabilizar a dívida. Ele comentou a decisão do Banco Central, que manteve a Selic em 15% ao ano, mas sinalizou a possibilidade de cortes futuros. Segundo o ministro, o atual patamar dos juros é incompatível com a sustentabilidade da dívida no longo prazo.

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