Eleições 2026 impulsionam mudança de domicílio eleitoral entre candidatos

Estratégia partidária e perfil do eleitorado pesam na escolha do estado de disputa

Com as eleições de 2026 se aproximando, cresce o número de pré-candidatos que optam por alterar o domicílio eleitoral como parte da estratégia para ampliar as chances nas urnas. Em outubro, os brasileiros irão escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados, e o cenário competitivo tem levado lideranças políticas a buscar estados mais favoráveis às suas pretensões eleitorais.

Foto: Reprodução | LR Moreira | Secom | TSE
Urna eleitoral

Entre os exemplos recentes estão o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), que transferiu o domicílio do Rio de Janeiro para Santa Catarina; a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), que saiu do Acre para São Paulo; e a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), que também trocou Mato Grosso do Sul por São Paulo. A decisão, segundo especialistas, passa pela quantidade de vagas em disputa e pelo peso eleitoral de cada estado.

De acordo com o cientista político Leonardo Paz Neves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a mudança de domicílio envolve disputas internas nos partidos e cálculos estratégicos. Ele cita o caso da família Sarney, em que o ex-presidente José Sarney disputou o Senado pelo Amapá enquanto aliados permaneciam no Maranhão, evitando concorrência direta dentro da mesma legenda. Já o professor Eduardo Grin, também da FGV, destaca que estados com menor competitividade podem facilitar a eleição de nomes fortes.

No caso de Carlos Bolsonaro, os especialistas avaliam que Santa Catarina apresenta um eleitorado mais alinhado às ideias da família Bolsonaro, o que pode reduzir o grau de dificuldade da disputa. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para concorrer, o candidato precisa ter domicílio eleitoral e filiação partidária no estado escolhido com pelo menos seis meses de antecedência da votação, requisito essencial para validar a estratégia eleitoral adotada.

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