O Congresso Nacional retoma oficialmente suas atividades nesta segunda-feira (2), dando início ao ano legislativo em um contexto marcado pela antecipação do debate eleitoral de 2026. Deputados e senadores voltarão aos plenários da Câmara e do Senado sob forte polarização política e disputa de narrativas entre a base governista e a oposição, refletindo a proximidade das eleições gerais deste ano.
De um lado, a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca imprimir um ritmo próprio a uma agenda focada em pautas sociais e trabalhistas, como a revisão da jornada de trabalho 6×1 e a ampliação da isenção do Imposto de Renda, que considera estratégicas para reforçar sua posição junto à população. De outro, a oposição entra no ano legislativo concentrando esforços em temas de caráter político e institucional, como a anistia para envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 e a derrubada de vetos presidenciais, sem ainda apresentar prioridades amplas em políticas sociais.
O clima eleitoral fica ainda mais evidente nas declarações de lideranças de oposição, que têm reforçado um discurso de enfrentamento direto ao governo. Segundo o líder oposicionista no Senado, há uma aposta na união dos partidos conservadores em torno de valores como família, liberdades econômicas e auditorias no sistema eleitoral, embora críticas às urnas eletrônicas tenham sido evitadas oficialmente. Já a liderança na Câmara concentra esforços na derrubada de vetos e no fortalecimento de temas caros ao campo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Apesar das tensões, ainda há convergências entre os diferentes grupos políticos, especialmente em torno da segurança pública, que deve entrar na pauta das comissões ainda nesta semana e chegar ao plenário após o período carnavalesco, em resposta à pressão da opinião pública. A retomada dos trabalhos legislativos neste cenário evidencia não apenas as divergências internas do país, mas também as estratégias que cada lado pretende adotar ao longo de um ano eleitoral decisivo.