O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (5), que cobrou esclarecimentos do filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, após ele ser citado em apurações da Polícia Federal sobre um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas.
Em entrevista, Lula disse que chamou o filho ao Palácio do Planalto e pediu que ele explicasse a situação. Segundo o presidente, deixou claro que, caso haja irregularidades, ele deverá responder por seus atos, e, se não houver, deve se defender.
Lulinha não é investigado diretamente no caso, mas teve o nome mencionado por meio de uma empresária com quem mantém relações comerciais no setor de cannabis medicinal. Ela estaria envolvida em tentativas de firmar contratos com o governo federal, o que chamou a atenção dos investigadores.
Durante a entrevista, Lula comparou o episódio às acusações que enfrentou na Operação Lava Jato, em 2018, quando foi preso. Ele voltou a afirmar que foi alvo de injustiça e destacou que decidiu permanecer no país para enfrentar a Justiça, até ter as condenações anuladas e recuperar seus direitos políticos.
O presidente também criticou a atuação de parte da imprensa no período e classificou o processo como irregular, ressaltando que o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações e determinou investigações sobre a condução dos casos em Curitiba.
Lula afirmou ainda que não protege aliados ou familiares diante de suspeitas e que preza pela correção na administração pública. Segundo ele, a única forma de evitar problemas é agir dentro da legalidade.
Na oposição, partidos afirmam que a base governista tenta impedir o avanço das investigações envolvendo Lulinha na CPMI. A defesa do empresário nega qualquer irregularidade e afirma que as acusações têm motivação política.