A Polícia Federal deu início, nesta sexta-feira, 6, à Operação Zona Cinzenta com o objetivo de investigar possíveis irregularidades na administração dos recursos da Amapá Previdência (Amprev). Estão sendo cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, emitidos pela 4ª Vara de Justiça Federal. Os alvos da investigação são os investimentos realizados pela autarquia em letras financeiras emitidas pelo Banco Master.
Durante o processo investigativo, as autoridades encontraram documentos que comprovam que a Amprev aprovou três aplicações consecutivas em letras financeiras do Banco Master em um período de menos de 20 dias. Essas aplicações, de acordo com a Folha de S.Paulo, ocorreram em julho de 2024, totalizando quase R$ 400 milhões. O foco principal da operação é o diretor-presidente da autarquia, Jocildo Silva Lemos, indicado ao cargo pelo senador Davi Alcolumbre.
Lemos foi nomeado pelo governador Clécio Luís após o convite direto de Alcolumbre, como o próprio gestor admitiu em ocasiões públicas. Além disso, o irmão do senador, Alberto Alcolumbre, atua na autarquia como conselheiro fiscal, mas não está entre os alvos da operação atual. A investigação da PF concentra-se na aprovação e execução dos aportes financeiros feitos pelo regime próprio de previdência do estado.
A análise do balanço de 2024 da Amprev revela que o fundo possuía um ativo circulante de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 8,3 bilhões estavam alocados em investimentos de curto prazo. No entanto, a situação contábil apresenta sinais preocupantes; quando considerados os passivos e os valores necessários para pagamentos futuros, o patrimônio líquido do fundo demonstra um déficit de R$ 387 milhões.
O objetivo da PF é reunir provas que esclareçam se houve favorecimento ou desvio de finalidade nos investimentos feitos junto ao Banco Master. A Operação Zona Cinzenta busca identificar se os gestores da Amprev desconsideraram critérios técnicos de segurança e liquidez para beneficiar interesses específicos. Os materiais apreendidos em Macapá serão submetidos à perícia para fundamentar as próximas etapas do inquérito federal sobre a previdência do Amapá.