Bloqueio de WhatsApp amplia controle digital na Rússia

Governo indica alternativa estatal e enfrenta críticas internacionais

O governo da Rússia confirmou o bloqueio integral do WhatsApp no país, alegando que a empresa responsável pelo aplicativo descumpriu a legislação local. A decisão foi anunciada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, que afirmou que a medida já está em vigor.

Foto: Primakov/Depositphotos/IMAGO
WhatsApp

Segundo Peskov, a ação foi tomada após a Meta, controladora do aplicativo, recusar-se a seguir normas russas. O governo recomenda que a população utilize o Max, um aplicativo de mensagens desenvolvido no país como alternativa ao serviço bloqueado.

Críticos da decisão afirmam que o Max poderia funcionar como ferramenta de vigilância estatal — acusação negada pelas autoridades. O aplicativo é fornecido pela VK e, segundo especialistas citados por opositores, não oferece criptografia integral nas conversas, ao contrário do WhatsApp.

Na véspera do anúncio oficial, a Meta afirmou na rede social X que o governo russo tentava bloquear completamente o serviço para forçar a adoção de um aplicativo estatal. A empresa classificou a decisão como um retrocesso para a comunicação privada de usuários no país. Além do WhatsApp, a Meta também controla as redes sociais Facebook e Instagram, que já enfrentam restrições na Rússia.

O bloqueio ocorreu após a retirada de domínios ligados ao WhatsApp do registro nacional russo, impedindo que dispositivos dentro do país obtenham os endereços necessários para acessar o serviço. Usuários só conseguem contornar a restrição por meio de redes privadas virtuais (VPNs).

Paralelamente, a agência reguladora russa Roskomnadzor reduziu a velocidade do Telegram, alegando violação de leis locais. A medida foi criticada por organizações como a Anistia Internacional, que a classificou como censura. O fundador do Telegram, Pavel Durov, também criticou a ação.

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