Anielle critica elo entre política e milícia e pede fim da impunidade no país

STF julga acusados por morte de Marielle e família cobra justiça plena

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, nesta terça-feira (24), o julgamento de cinco acusados de envolvimento nos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, mortos em março de 2018, no Rio de Janeiro. Após quase oito anos de espera, familiares classificam o momento como um marco para a democracia brasileira e cobram uma resposta efetiva do Estado diante da gravidade do crime.

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Anielle Franco

Durante o julgamento, parentes das vítimas destacaram a importância de responsabilizar todos os envolvidos, incluindo possíveis mandantes. A mãe da vereadora, Marinete da Silva, afirmou que o momento mistura dor e esperança, enquanto o pai, Antônio Francisco, ressaltou a confiança na Corte para que o processo não seja influenciado por estratégias da defesa. Ambos reforçaram a necessidade de justiça após anos de espera.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, destacou que o caso vai além de uma resposta às famílias e representa um teste para as instituições democráticas. Segundo ela, é fundamental demonstrar que a chamada “tríade” formada por política, milícia e agentes públicos não pode garantir impunidade. Já Luyara Franco afirmou que o julgamento simboliza a possibilidade de um novo Brasil, baseado na responsabilização e na reparação.

O julgamento, presidido pelo ministro Flávio Dino, analisa a conduta de cinco acusados, incluindo nomes ligados à política e à segurança pública. Eles respondem por duplo homicídio qualificado e tentativa de homicídio, em um processo que envolve sustentações da acusação e de dezenas de advogados de defesa. Para a família de Anderson Gomes, representada pela viúva Ágatha Reis, o país precisa demonstrar que nenhum vínculo institucional será capaz de proteger os responsáveis por crimes dessa natureza.

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