Governo busca acordo para evitar tarifaço dos EUA com corte de alíquotas setoria

Planalto negocia com americanos e aposta em reduzir tarifas de importação para evitar sobretaxa

A menos de duas semanas do prazo estabelecido pelos Estados Unidos para decidir sobre a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, o governo federal intensificou as negociações diplomáticas para tentar impedir a medida. A estratégia do Palácio do Planalto inclui uma nova reunião com representantes do governo norte-americano e a proposta de redução de alíquotas de importação para setores em que empresas dos Estados Unidos possuem forte participação, como máquinas, equipamentos médicos e tecnologia da informação. 

Foto: Ricardo Stuckert / PR

A iniciativa faz parte de um pacote elaborado pelo governo brasileiro e encaminhado ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). O documento reúne medidas voltadas a temas como comércio digital, propriedade intelectual, combate à corrupção, etanol, tarifas preferenciais e combate ao desmatamento ilegal. Espera-se que essas propostas demonstrem disposição para ampliar a cooperação comercial e reduzam as chances de adoção das novas tarifas. 

Integrantes do governo avaliam que o cenário continua desafiador. Existe a percepção de que fatores políticos ligados ao processo eleitoral brasileiro e ao contexto político dos Estados Unidos podem influenciar a decisão da administração do presidente Donald Trump. Ainda assim, o governo pretende manter as negociações e buscar uma solução negociada antes do prazo final. 

Nos próximos dias, também está prevista uma audiência promovida pelo USTR para discutir a possível taxação. O governo brasileiro não participará diretamente do encontro, deixando a representação para entidades do setor privado. Caso o tarifaço seja confirmado, a medida poderá afetar diversos segmentos exportadores do país e ampliar as tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, tornando o desfecho das negociações decisivo para a relação econômica entre os dois países. 

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