Cota de exportação de carne bovina para China atinge os 100%
Exportações passam a pagar tarifa deb67% e frigoríficos reduzem produção
A cota de importação de carne bovina brasileira com tarifa reduzida para a China foi totalmente utilizada, segundo levantamento da consultoria Safras & Mercado com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A partir de agora, toda a carne bovina embarcada pelo Brasil para o mercado chinês estará sujeita à tarifa cheia, de aproximadamente 67%, cenário que reduz a competitividade das exportações e já provoca impactos na indústria frigorífica.
De acordo com o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, os embarques realizados em junho foram suficientes para atingir o limite de 1,106 milhão de toneladas estabelecido pelo governo chinês para 2026. Somente no mês passado, o Brasil exportou 158,3 mil toneladas de carne bovina para a China, o maior volume mensal registrado neste ano.
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A utilização integral da cota confirma uma expectativa que já vinha sendo apontada pelo setor. Na última semana, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, afirmou que o limite seria alcançado quando as cargas já embarcadas chegassem ao destino.
Segundo ele, apesar de parte da mercadoria ainda estar em trânsito, o tempo de transporte entre os portos brasileiros e a China, que varia de 40 a 60 dias, faz com que o volume disponível já esteja totalmente comprometido. Com isso, além da tarifa regular de cerca de 12%, as exportações passam a recolher uma taxa adicional próxima de 55%, elevando a tributação total para aproximadamente 67%.
Os reflexos desse cenário já começaram a atingir a indústria. Frigoríficos com maior dependência do mercado chinês anunciaram férias coletivas e reduziram o ritmo de produção diante da perda de competitividade das vendas ao principal comprador da carne bovina brasileira.
Segundo Roberto Perosa, empresas com atuação em mercados mais diversificados conseguiram minimizar os impactos ao redirecionar parte da produção para outros destinos e desacelerar o volume de abates. O dirigente classificou o momento como um período de adaptação para o setor.
A expectativa é que os próximos meses sejam marcados por ajustes no mercado. Parte da produção inicialmente destinada à China deverá ser direcionada ao mercado interno e a outros países importadores, como Vietnã, Japão, Coreia do Sul e Turquia, enquanto as empresas buscam ampliar sua presença em novos mercados.
A redução das exportações também tende a influenciar o mercado do boi gordo. Segundo a Abiec, a menor demanda da indústria por animais para abate já pressiona as cotações da arroba.
Apesar das dificuldades no curto prazo, a entidade avalia que o mercado poderá recuperar parte do ritmo a partir de outubro, quando está prevista a renovação da cota chinesa de importação com tarifa reduzida, permitindo a retomada gradual dos embarques.
Fonte: Canal Rural